Agricultura
Tecnologia e sustentabilidade impulsionam o agronegócio no estado
Agricultura
Minas Gerais mantém sua liderança no agronegócio nacional, com forte aposta em tecnologia, sustentabilidade e gestão eficiente da produção rural. O estado combina tradição com inovação, fortalecendo cadeias produtivas estratégicas como café, leite, grãos, frutas e carne bovina, e criando condições para ampliar competitividade no mercado global.
A força do setor vem da integração entre universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e produtores. Instituições como UFV, UFLA, UFMG, EPAMIG e unidades da Embrapa focadas em Gado de Leite, Milho e Sorgo e Café desenvolvem soluções aplicadas para aumentar produtividade e reduzir impactos ambientais.
Minas também concentra um número crescente de startups voltadas ao agronegócio, conhecidas como AgTechs, que oferecem tecnologias digitais, biotecnologia, gestão de fazendas e serviços que auxiliam diretamente o trabalho do produtor rural. Em 2025, o estado já possui mais de 230 startups nesse segmento, consolidando-se como um dos maiores polos de inovação agropecuária do país.
No campo, os resultados são expressivos. O estado responde por mais de metade da produção nacional de café, especialmente nas regiões do Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Mantiqueira, além de aproximadamente um quarto da produção de leite, com investimentos em rastreabilidade e automação que elevam a qualidade do produto. A produção de grãos, como milho, soja e feijão, cresce continuamente com o uso de agricultura de precisão, enquanto fruticultura e cana-de-açúcar avançam nas regiões Norte e Triângulo Mineiro.
O estado também implementou o Protocolo de Sustentabilidade Agropecuária de Minas Gerais, que define boas práticas de produção, rastreabilidade e conformidade com padrões internacionais. A governança desse programa é conduzida pelo Comitê Gestor do Agro, que reúne representantes do governo estadual, Emater, Epamig e entidades do setor produtivo, garantindo que a inovação caminhe junto com a sustentabilidade e a competitividade.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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