Opinião

A envergadura social: O Ter e o Ser!

Publicado em

Opinião

Por Soraya Medeiros

Vivemos tempos em que o valor das pessoas parece pesar mais na balança do “ter” do que na leveza do “ser”. A sociedade, essa platéia inquieta e exigente, aplaude o brilho das conquistas materiais, mas raramente se detém para admirar a serenidade de um coração em paz.

Desde cedo, somos instigados a medir nossa importância por símbolos — o carro, a casa bem localizada, o cargo que impõe respeito. A viagem internacional vira pano de fundo para selfies, o tênis de marca vale mais que um cumprimento ao porteiro. E as redes sociais, essas vitrines do ego, transformaram o cotidiano em uma competição silenciosa: quem parece mais feliz, mais bem-sucedido, mais completo. Eis o paradoxo: quanto mais o “ter” se amplia, mais o “ser” parece encolher.

A envergadura social — esse jeito de nos curvarmos às aparências — nos leva a esquecer que o verdadeiro tamanho de alguém está naquilo que o dinheiro não compra: a empatia que enxuga uma lágrima, a gentileza no trânsito caótico, o caráter que se mantém íntegro na sombra. O sociólogo Zygmunt Bauman, ao descrever a sociedade contemporânea, já alertava que o desejo de “ser” foi substituído pela obsessão de “consumir”, tornando as identidades tão efêmeras quanto os bens que adquirimos.

O “ter” pode abrir portas, mas é o “ser” que faz morada no coração dos outros. Quantas vezes o simples gesto de ouvir vale mais do que mil discursos? Quantas vezes um sorriso sincero ilumina mais do que o luxo de um salão?

Talvez estejamos precisando reaprender a olhar. A ver além do que reluz, além do que se exibe. Porque o “ter” pode ser temporário, mas o “ser” é o que permanece quando as cortinas do status se fecham.

No fim, o que permanece é o que somos — não o que exibimos.

*Soraya Medeiros é jornalista.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

As Amélias de hoje

Publicados

em

Quando chega o mês da mulher, gosto de refletir sobre um tema que, durante muito tempo, foi mal interpretado: a figura da “Amélia”. Muita gente se lembra da música famosa de Ataulfo Alves e Mário Lago e associa o nome Amélia a uma mulher submissa, limitada ao lar ou reduzida ao papel de servir. Mas será que é isso mesmo que significa ser uma Amélia?

Eu penso diferente. Ao longo da minha trajetória, comecei a refletir sobre esse assunto quando ainda estava na faculdade. Em uma aula, recebemos o tema “Amélia” para uma redação. Naquele momento eu já era mãe e estava grávida do meu segundo filho. Quando escrevi meu texto, percebi que a visão predominante era de crítica à figura da Amélia, como se ela representasse algo negativo para a mulher.

Mas eu nunca enxerguei dessa forma, eu sempre acreditei que uma coisa não precisa substituir a outra… ela pode somar. Ser uma mulher ativa no mercado de trabalho não impede que ela também cuide da sua casa, da sua família ou dos seus afetos. Da mesma forma, dedicar-se à família não diminui a inteligência, a força ou a capacidade de uma mulher.

Quando comecei a pesquisar mais sobre o assunto, descobri algo interessante: o significado do nome Amélia não tem nada a ver com submissão. Muito pelo contrário, Amélia significa uma mulher vigorosa, ativa e trabalhadora e isso descreve perfeitamente muitas mulheres que conhecemos.

As Amélias de hoje são mulheres que trabalham, que empreendem, que lideram, que estudam, que cuidam da casa, que educam os filhos e que, muitas vezes, ainda sustentam suas famílias. São mulheres que enfrentam dificuldades, mas seguem firmes, construindo caminhos com coragem e resiliência.

No meu consultório, ao longo dos anos, ouvi inúmeras histórias de vida e posso dizer com segurança que muitas mulheres são verdadeiras parceiras na construção da vida familiar. Elas caminham ao lado, enfrentam momentos difíceis, ajudam a reorganizar a casa, apoiam os filhos e muitas vezes sustentam emocionalmente toda a estrutura da família, e isso representa força!

Ser Amélia hoje não significa abrir mão da autonomia ou da liberdade. Significa compreender que a mulher pode ocupar todos os espaços que desejar (no trabalho, na política, na ciência, na família ou onde mais escolher estar), mas também significa reconhecer que algumas qualidades tradicionalmente femininas, como o cuidado, a parceria, a capacidade de administrar múltiplas tarefas e de manter relações equilibradas, não devem ser desprezadas.

Essas qualidades não diminuem a mulher, pelo contrário, revelam sua grandeza. As Amélias de hoje são mulheres modernas, conscientes e protagonistas da própria história. São mulheres que trabalham, que sonham, que realizam e que, acima de tudo, constroem. Somos nós o cuidado e a delicadeza, ou seja, ser feminina não diminui, em nada, a nossa coragem.

Neste Mês Internacional da Mulher, minha reflexão é simples: que possamos valorizar todas as mulheres, em suas diferentes escolhas, trajetórias e formas de viver, porque, no final das contas, cada uma de nós carrega um pouco dessa força silenciosa, ativa e transformadora que sempre existiu nas verdadeiras Amélias.

Sonia Mazetto – Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante

ARTIGO DE OPINIÃO

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA