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Brasil bate recorde de exportações de feijão e reforça presença global

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As exportações de feijão seguem impulsionando o mercado agrícola brasileiro: outubro marcou o embarque de 91,1 mil toneladas, volume mensal sem precedentes em quase três décadas. O Brasil exportou 452,9 mil toneladas só em 2025, com acumulado anual de 537 mil toneladas, consolidando posição estratégica frente à demanda internacional.

O ritmo acelerado das vendas externas, no entanto, contrasta com a trajetória recente dos preços pagos ao produtor. O feijão-preto, principal variedade direcionada à exportação, teve leve queda nas cotações no Sul do Paraná, principal polo do país. O valor da saca de 60 quilos encerrou a última sexta em R$ 132,69, pressionado por maior oferta e menor reação cambial, já que boa parte dos contratos foi fechada antes do atual patamar do dólar.

Enquanto as negociações externas avançam, o setor rural acompanha atentamente o progresso da safra 2025/26. Dados da Conab indicam que a semeadura alcançou 34% da área nacional até o início de novembro, com Paraná à frente, seguido de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais e Goiás, as chuvas recentes melhoram o potencial produtivo, abrindo espaço para os produtores planejarem o mercado — entre vendas internas e oportunidades de exportação.

Para os próximos meses, a avaliação é que o desempenho internacional do feijão brasileiro tende a manter-se forte, mas o favorecimento ao produtor dependerá do câmbio, dos custos logísticos e da capacidade do setor de conquistar novos mercados. O Brasil reforça sua relevância como player internacional, mas o desafio é garantir que o avanço das exportações também se traduza em melhores rentabilidades para quem está no campo.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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