Agricultura
Volta dos EUA às compras anima exportações de carne
Agricultura
O fim do “tarifaço” e a reabertura do mercado dos Estados Unidos para a carne bovina brasileira chega em um momento em que o boi gordo já opera em patamar firme e pode ser o fator que faltava para um novo fôlego nas cotações da arroba nas próximas semanas.
Segundo analistas, o aumento da demanda externa, somado a um consumo interno aquecido pelo pagamento do 13º salário e pelas contratações temporárias de fim de ano, tende a apertar a disponibilidade de animais prontos e sustentar preços mais altos no curto prazo.
Por enquanto, o mercado físico segue estável nas principais praças, mas em um nível considerado relativamente elevado para dezembro. No dia 11, a arroba do boi gordo a prazo era negociada a 325 reais na capital paulista, 320 reais em Goiânia, Uberaba e Dourados, 300 reais em Cuiabá e 280 reais em Vilhena, sem mudança relevante em relação ao fechamento da semana anterior.
No atacado, os cortes também mostram firmeza: o traseiro bovino subiu para 26,50 reais o quilo, alta de quase 1% na semana, enquanto o dianteiro ficou estável em 18,50 reais. A leitura é que ainda há espaço para reajustes, caso o varejo consiga repassar parte desses aumentos ao consumidor em um mês tradicionalmente forte para o consumo de proteína animal.
Do lado externo, os números ajudam a explicar o otimismo. Nos cinco primeiros dias úteis de dezembro, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada somaram em torno de 2,3 bilhões de reais, com embarques de 76,7 mil toneladas e preço médio de 5.671 dólares por tonelada.
Em comparação com dezembro do ano passado, houve salto de 80,5% na receita média diária, alta de 59,1% no volume diário exportado e avanço de 13,4% no preço médio. Esse ritmo reforça o quadro de procura firme por carne brasileira no exterior, em um cenário em que os Estados Unidos aliviam parte das barreiras e voltam a comprar mais do produto nacional, mesmo após o “tarifaço” recente.
Para o produtor, o efeito mais imediato deve aparecer na formação de preços da arroba. Com exportações fortes e indústria frigorífica mais ativa, a tendência é de maior disputa por boi terminado, principalmente em praças próximas de plantas habilitadas para os EUA e outros grandes mercados, como China e Oriente Médio.
Em regiões onde a oferta de gado está mais enxuta, a combinação de demanda interna aquecida e exportações em alta pode reduzir a pressão dos frigoríficos por novas quedas de preço e, em alguns casos, abrir espaço para negociações acima das referências médias de mercado, sobretudo para animais bem terminados e dentro dos padrões exigidos pelo mercado externo.
A recomendação de analistas é que o pecuarista acompanhe de perto o comportamento da indústria e da escala de abate, evitando decisões precipitadas. Em um cenário de exportações aceleradas e varejo relativamente firme, trava de preço, venda escalonada e atenção à possibilidade de bonificações por qualidade podem fazer diferença no resultado final da fazenda.
Ao mesmo tempo, o setor segue atento a fatores de risco, como eventuais mudanças nas condições sanitárias, novos movimentos tarifários e o comportamento da demanda mundial em 2026 — mas, pelo menos no curto prazo, a volta dos EUA ao jogo tende a manter o boi gordo em patamar mais valorizado do que o observado em boa parte do ano.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Do fruto ao chocolate: cacau de MT ganha força nacional e impulsiona festival que valoriza a produção regional
No próximo dia 7 de julho, quando é celebrado o Dia Mundial do Chocolate, Mato Grosso tem mais um motivo para comemorar. Embora ainda esteja fora do eixo tradicional da cacauicultura brasileira, o estado vem ampliando sua presença na cadeia produtiva do cacau, fortalecendo a agricultura familiar, atraindo investimentos e consolidando iniciativas que colocam a produção regional em evidência.
O Brasil ocupa atualmente a sétima posição entre os maiores produtores de cacau do mundo, com uma produção próxima de 200 mil toneladas anuais. Segundo dados do Ministério da Agricultura e da Organização Internacional do Cacau (ICCO), toda a cadeia produtiva movimenta cerca de R$ 23 bilhões por ano e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos.
Embora Bahia e Pará continuem liderando a produção nacional, estados como Mato Grosso vêm apresentando crescimento consistente, especialmente por meio de sistemas agroflorestais, que aliam produtividade, preservação ambiental e geração de renda para pequenos produtores.
Em Mato Grosso, a cacauicultura avança principalmente em municípios das regiões Norte e Noroeste, favorecidos pelo clima tropical e pelo incentivo à diversificação agrícola. Além da produção das amêndoas, cresce também o número de agroindústrias artesanais voltadas à fabricação de chocolates de origem, agregando valor à matéria-prima produzida dentro do próprio estado.
Nos últimos anos, o cacau também passou a ser visto como uma alternativa sustentável para recuperação de áreas degradadas, integração entre floresta e agricultura e geração de renda em propriedades familiares, fatores que vêm atraindo o interesse de instituições de pesquisa, cooperativas e entidades ligadas ao agronegócio.
Esse crescimento também impulsiona eventos especializados, como o Festival do Chocolate de Mato Grosso, idealizado pela empresária Zilda Castanho. Criado para valorizar a produção local e aproximar produtores, consumidores e especialistas, o festival se consolidou como uma das principais vitrines do setor no Centro-Oeste e, a cada edição, amplia sua relevância por meio de novas parcerias estratégicas, como a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), que atua no fortalecimento do agronegócio estadual e incentiva diretamente a expansão da cultura do cacau.
Foi observando esse potencial que o Festival do Chocolate de Mato Grosso cresceu e mais atividades foi acrescentada a programação que já era extensa, há dois anos em parceria com a Famato os visitantes podem conhecer o produto innatura, conhecer o processo de transformação da fruta em chocolate e conhecer a história por trás desse produto que segue como líder de preferencia mundial.
Para a supervisora da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), Cristiani Santos Bernini, além de valorizar a produção regional, o Festival do Chocolate se destaca como um espaço de conhecimento, troca de experiências e incentivo à cacauicultura. A programação aproxima produtores, consumidores e interessados na cultura do cacau, promovendo oportunidades de capacitação, agregação de valor aos produtos e ampliação de mercados. Para o Senar Mato Grosso, a participação no evento também reforça o trabalho desenvolvido pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), que acompanha produtores rurais e contribui para o fortalecimento da atividade no estado.
Supervisora da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), Cristiani Santos Bernini
Cristiani destaca que atualmente a instituição atende 26 produtores de cacau na região norte do estado, por meio da cadeia de Fruticultura Perene. Ela destaca que o Festival do Chocolate é uma oportunidade para apresentar o potencial da cultura e incentivar novos agricultores a investirem na atividade.
“O Festival do Chocolate vai muito além da exposição de produtos. É um espaço de aprendizado e valorização da nossa cacauicultura. Neste ano, vamos apresentar a Trilha Sensorial do Cacau ao Chocolate, onde o público poderá conhecer todas as etapas da transformação do fruto em chocolate, desde a produção até a degustação. Também teremos a Feira Natural do Campo, com a comercialização de produtos da agricultura rural. Nosso trabalho por meio da ATeG busca fortalecer a cacauicultura local, incentivar a agregação de valor, ampliar as oportunidades de comercialização e mostrar que o cacau é uma excelente alternativa para diversificação da produção e geração de renda. Mato Grosso possui grande potencial para expandir essa cultura, e eventos como este despertam o interesse de novos produtores e fortalecem toda a cadeia produtiva”.
Para Zilda, o crescimento da produção estadual demonstra que o chocolate mato-grossense possui identidade própria e pode ocupar espaço cada vez maior no mercado nacional. “O Festival nasceu acreditando no potencial do nosso Estado, e hoje com a ascensão do nosso cacau e dos nossos produtores , a cada edição percebemos um setor mais fortalecido, com novos empreendedores, mais qualidade e mais parceiros comprometidos com esse desenvolvimento. Hoje contamos com instituições importantes, como a Famato, que fomenta o agro e incentiva diretamente a produção de cacau no estado. Isso mostra que Mato Grosso tem todas as condições de se tornar uma referência também na produção de chocolates de origem”, destaca Zilda.
Zilda ressalta que o festival vai muito além da comercialização dos produtos: “Queremos mostrar toda a cadeia produtiva, aproximar quem produz de quem consome, incentivar conhecimento, turismo, gastronomia e geração de negócios. O chocolate é resultado do trabalho de centenas de famílias que encontram no cacau uma oportunidade de crescimento sustentável.”
O fortalecimento da cultura do cacau acompanha uma tendência observada em todo o país. A valorização internacional das amêndoas, que em 2024 ultrapassaram a marca histórica de US$ 10 mil por tonelada, despertou ainda mais interesse pela atividade, principalmente em regiões consideradas novas fronteiras agrícolas.
Nesse cenário, o Festival do Chocolate de Mato Grosso vem se consolidando como um importante instrumento de divulgação da produção regional, fortalecendo a conexão entre agricultura, empreendedorismo, turismo e gastronomia.

À medida que novas áreas passam a investir na cultura do cacau e instituições ampliam o apoio aos produtores, Mato Grosso reforça sua posição entre os estados que despontam como protagonistas na nova geografia da cacauicultura brasileira, mostrando que o futuro do chocolate também passa pelo Centro-Oeste.
E por falar em festival, ele tá chegando a 8ª Edição Festival do Chocolate, 28,29 e 30 de Agosto, na Arena Pantanal.
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