Opinião
A inteligência de ser multicor!
Opinião
Por Soraya Medeiros
Existe uma cobrança constante por coerência absoluta. No campo social e no espiritual, espera-se que as pessoas se definam uma vez e permaneçam estáticas. Como se identidade fosse sinônimo de rigidez. Essa lógica, amplificada pelas redes sociais, ignora um dado básico da experiência humana: ninguém é fixo.
Somos mutáveis — e isso não é fraqueza.
É a partir dessa constatação que reconheço em mim o princípio de Oxumarê. Não como um título religioso ou posição ritual, mas como uma vivência cotidiana. Oxumarê simboliza movimento, transformação e circularidade. São elementos que compõem a vida real, muito além de qualquer hierarquia espiritual.
Mudar não é falta de foco; é adaptação.
Durante muito tempo, associei essa capacidade de transitar entre estados à instabilidade. Hoje, entendo como complexidade. Posso ser racional em um contexto e intuitiva em outro. Firme quando necessário; flexível quando o momento exige. Isso não indica ausência de essência, mas uma leitura adequada da realidade. Manter-se igual diante de situações opostas não é coerência, é rigidez. E tudo o que é rígido tende a quebrar sob pressão.
A exigência de coerência absoluta produz sujeitos fragmentados — pessoas que reprimem partes legítimas de si para sustentar uma imagem estável. Oxumarê, enquanto arquétipo, propõe o oposto: integrar os extremos. Não se trata de contradição, mas de alternância consciente. Ser ponte entre forças distintas exige muito mais maturidade do que escolher apenas um lado.
Ao olhar minha própria trajetória, vejo continuidade, não ruptura. A adolescente divertida, a jovem inconformada, a profissional atenciosa e a mulher que hoje se reinventa coexistem no agora. Nenhuma anula a outra; todas respondem a contextos diferentes. A identidade não se perde na mudança; ela se amplia.
Essa fluidez desmonta a ideia de padronização. Em alguns momentos, sou acolhimento. Em outros, confronto. Às vezes, silêncio; em outras, ruptura. Isso não é incoerência, é inteligência emocional. Saber qual postura assumir em cada situação é sinal de domínio de si, não de confusão interna.
Essa multiplicidade transborda, inclusive, para o visível. Até escolhas aparentemente banais, como o uso das cores, comunicam nossos estados subjetivos. Não são capricho estético, são linguagem. Assim como o arco-íris depende da harmonia de todos os seus tons, minha forma de vestir expressa a pluralidade que me compõe. Variar não é indecisão. É expressão.
O erro está em tratar a pluralidade como exceção, quando ela é a regra na natureza. Todos carregamos dimensões diversas. A diferença é que alguns tentam silenciá-las para caber em modelos estreitos, enquanto outros escolhem integrá-las.
Assumir-se multicor é, antes de tudo, um gesto de honestidade.
Ser Oxumarê, nesse sentido, não depende de reconhecimento externo. É uma postura diante da existência. É recusar simplificações e aceitar os próprios ciclos. É compreender que identidade não é imobilidade, mas processo.
Mudar não me fragmenta; me torna mais consciente de quem sou em cada momento. E isso não é instabilidade. É humanidade.
Opinião
Da comida à recreação: todas as fases de uma festa infantil
*Por Edy Machado
Organizar uma festa infantil envolve expectativa, afeto e muitas decisões. Antes da data, as famílias já planejam cada detalhe. Escolhem o tema, definem os convidados e buscam alternativas que tornem a comemoração inesquecível para todos os presentes.
Por muito tempo, as festas infantis focaram na alimentação e nos momentos tradicionais. O bolo, os doces, os salgados e o parabéns sempre ocuparam lugar de destaque. Esses elementos continuam importantes, afinal, a comida tem um papel afetivo essencial. Ela reúne pessoas, cria conexões e faz parte das lembranças que carregamos. Quem não recorda de uma celebração pelo sabor de um doce preferido ou pelo momento de dividir a mesa com familiares? Essas memórias permanecem vivas porque representam encontros e carinho.
Ao mesmo tempo, as comemorações passam por transformações. Crianças de hoje buscam participação durante todo o evento. Elas querem brincar, explorar, descobrir novidades e compartilhar experiências com os colegas. A comemoração deixou de ser centrada em momentos específicos para se transformar em uma vivência completa.
Agora, a recreação passou a ocupar um espaço mais relevante. Não se trata de oferecer entretenimento passageiro, mas de proporcionar oportunidades para que os pequenos expressem a imaginação e construam lembranças. Brincar é uma necessidade da infância. É por meio das brincadeiras que as crianças aprendem, interagem e experimentam o mundo. Em um aniversário, essa dimensão ganha importância, pois está associada à alegria daquele dia.
A diversão não beneficia apenas os pequenos. Quando os filhos estão envolvidos em atividades seguras, os adultos aproveitam. Os pais conversam com tranquilidade, participam dos momentos em família e vivem a festa sem a preocupação de entreter as crianças.
A praticidade também é valorizada pelas famílias. A rotina exige espaços com estrutura completa, reunindo alimentação, lazer e conforto em um único ambiente. Essa integração facilita a organização e permite focar no que realmente importa, celebrar.
A segurança merece destaque. Toda família deseja que os filhos brinquem livremente em locais preparados. O planejamento e o monitoramento das atividades trazem confiança aos pais, tornando a experiência agradável. Como cada criança possui sua personalidade, oferecer diferentes opções de lazer acolhe perfis distintos, garantindo que todos se divirtam.
As festas infantis são fundamentais para a convivência familiar. Na correria diária, elas reúnem gerações, fortalecendo laços. Uma celebração vai além da decoração. O sucesso vem da união de fatores. O alimento acolhe, o espaço traz conforto e o lazer gera alegria. O que fica são as memórias dos momentos vividos, das risadas e do afeto. É isso que transforma uma festa em uma lembrança eterna.
Edy Machado é empresária e proprietária do Fly Park, em Cuiabá.
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