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Produção recorde não derruba preços e safra fecha com mercado firme no Brasil

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A safra brasileira de milho 2024/25 entrou para a história pelo volume colhido, mas também por um comportamento de mercado que contrariou a lógica tradicional da oferta abundante. Mesmo com produção recorde, estimada em cerca de 141 milhões de toneladas somando as três safras, os preços do cereal se mantiveram acima dos níveis observados em 2024, refletindo uma combinação de fatores internos e externos que deram sustentação às cotações ao longo do ano.

O principal motor desse desempenho foi o milho safrinha, responsável pela maior parte do crescimento da produção nacional. O avanço da produtividade, aliado à ampliação de área em importantes regiões produtoras, garantiu volumes elevados e consolidou o Brasil como um dos principais fornecedores globais do grão. Ainda assim, o aumento da oferta não se traduziu automaticamente em queda expressiva de preços no mercado doméstico.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o ano começou com um cenário atípico. Em janeiro de 2025, os estoques de passagem estavam em torno de 1,8 milhão de toneladas, patamar considerado historicamente baixo. Esse quadro limitou a disponibilidade imediata de milho e ajudou a sustentar os preços, mesmo diante da expectativa, já naquele momento, de uma safra robusta.

Além dos estoques reduzidos, o mercado foi influenciado por uma demanda interna aquecida, pela postura mais firme dos vendedores e por entraves logísticos em diferentes regiões do País. Esses fatores pressionaram as cotações no primeiro trimestre, mantendo o milho valorizado em plena entrada de ano-safra.

Com o avanço da colheita do milho de verão, os preços passaram a sofrer algum ajuste ao longo dos meses seguintes, movimento reforçado pelas boas perspectivas para a segunda safra. No entanto, a retração mais consistente ocorreu apenas no segundo semestre, quando parte dos consumidores adotou uma postura cautelosa, aguardando novas desvalorizações diante do avanço da colheita da safrinha e da confirmação da produção recorde.

Esse movimento, porém, perdeu força a partir de outubro. Produtores reduziram a oferta no mercado spot, o que voltou a dar sustentação às cotações até meados de dezembro. De acordo com o Cepea, houve relatos de dificuldades para recomposição de estoques por parte de alguns agentes, fator que contribuiu para manter os preços em níveis elevados no encerramento do ano.

No cenário internacional, a oferta global de milho permaneceu praticamente estável entre as safras 2023/24 e 2024/25. Quedas de produção em países como Estados Unidos, Rússia e Ucrânia foram compensadas pelo crescimento da colheita em grandes produtores, com destaque para Brasil, China e Índia. Esse equilíbrio global também colaborou para que os preços internacionais — e, por consequência, os domésticos — não recuassem de forma mais intensa.

O resultado foi um ano marcado por volumes históricos de produção, mas com um mercado que seguiu firme, reforçando a importância da gestão de estoques, da logística e do comportamento da demanda na formação dos preços do milho no Brasil.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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