Agricultura
Vazio sanitário do algodão para controle do bicudo vai até setembro
Agricultura
Começou nesta sexta-feira (1º.08) o período de vazio sanitário para a cultura do algodão em São Paulo, que se estenderá até 30 de setembro. Durante esses dois meses, os produtores devem manter as áreas livres de plantas e resíduos do algodão para combater o bicudo-do-algodoeiro, uma praga que causa prejuízos significativos ao perfurar botões florais e atacar as fibras e sementes, reduzindo a produtividade da safra.
A Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SAA) explica que a medida, prevista na Resolução SAA nº 30/2024, visa eliminar a fonte de alimento e reprodução do inseto, garantindo a sanidade para a próxima safra. Além disso, os agricultores devem monitorar e eliminar eventuais rebrotes da planta.
Segundo Alexandre Paloschi, agrônomo e diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal da Defesa Agropecuária Paulista, o vazio sanitário está alinhado ao Programa Nacional de Prevenção e Controle do Bicudo do Algodoeiro, regulamentado pelo Ministério da Agricultura desde 2008.
Além da retirada das plantas, os produtores precisam cadastrar suas áreas no sistema GEDAVE, informando a data de plantio até 15 dias após a semeadura.
A Resolução divide o estado em duas regiões para a aplicação do vazio sanitário. Enquanto 109 municípios iniciam o período a partir de 1º de agosto, a região noroeste de São Paulo terá o vazio sanitário entre 10 de setembro e 10 de novembro. Essa diferença ocorre porque, nessa região, o plantio do algodão acontece após a soja, prolongando o ciclo da cultura no campo.
Entre os municípios que começam o vazio sanitário em setembro estão: São José do Rio Preto, Barretos, Bebedouro, Votuporanga, Fernandópolis, e dezenas de outras cidades que compõem a região noroeste paulista.
O cumprimento rigoroso do vazio sanitário é fundamental para o controle do bicudo e para garantir a sustentabilidade e a produtividade do algodão paulista nas próximas safras.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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