Cuiabá
O General Artur da Costa e Silva, futuro presidente do Brasil, recebeu homenagens da Câmara Municipal de Cuiabá em 10 de novembro de 1965
Cuiabá
O jornal O Estado de Mato Grosso, do dia 31 de outubro de 1965, noticiou que o general Artur da Costa e Silva, então Ministro da Guerra da República, visitaria Cuiabá no dia 10 do mês seguinte. O general Costa e Silva cumpriria uma concorrida agenda na capital, como parte de uma visita que faria a dez municípios de Mato Grosso. Sabendo da visita do general à cidade, a presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Ana Maria do Couto, manteve contato com o comandante do 16º BC, o qual incluiu uma ida do general ao parlamento para a realização de uma solenidade em homenagem a ele e à sua comitiva.
O ministro Costa e Silva desembarcou no aeroporto Marechal Rondon no início da tarde do dia 10 de novembro, sendo recepcionado por autoridades civis e militares, e seguiu em um grande cortejo até a residência oficial dos governadores, sendo festejado pela população que compareceu ao centro da cidade. À noite, ele saiu da residência do governador e seguiu para a sede da Câmara, localizada na praça Alencastro, para ser homenageado pelos vereadores em uma sessão solene.
Antes de apresentar o registro da solenidade, é importante falar quem foi Artur da Costa e Silva. Ele nasceu na cidade de Taquari (RS) no dia 3 de outubro de 1899. Iniciou sua longa carreira no Exército no ano de 1918 e logo em seguida envolveu-se no movimento tenentista. Nas décadas de 1930 a 1950, Costa e Silva ocupou postos de comando militar pelo país. De acordo com Renato Lemos, o oficial envolveu-se novamente no cenário político quando defendeu a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, em 1955. No ano de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou ao cargo de presidente, abrindo um período de instabilidade política no país, que culminou no movimento militar de 31 de março de 1964. O general Costa e Silva foi um dos articuladores desse movimento, que denominaram na época de Revolução. Ele coordenou a dissolução do gabinete do presidente João Goulart e tomou para si o cargo de Comandante do Exército, sendo nomeado Ministro da Guerra do governo do Marechal Castello Branco, no dia 4 de abril.
O cargo de Ministro da Guerra em um regime militar era provido de grande prestígio, pois além do comando das armas, havia um grande envolvimento nas decisões políticas e administrativas. Podemos entender por isso o motivo de todo o alvoroço em Cuiabá por conta da sua presença. Na câmara não foi diferente. Todos os vereadores estavam presentes na solenidade, que contava com a presença dos presidentes do Tribunal de Contas e da Assembleia Legislativa, do prefeito Vicente Emílio Vuolo, de secretários do Estado e do alto oficialato militar sediado em Mato Grosso, além da comitiva que acompanhava o general.
A primeira a falar foi a presidente Ana Maria do Couto. Em suas palavras, ela enalteceu o general, classificando-o como exemplo vivo e democrático na defesa das instituições mantenedoras da vida pátria, em sua integridade de nação livre e soberana, e ainda, um orgulho do Brasil, esteio firme e vivo da sobrevivência da ordem, do progresso e da felicidade dos brasileiros. Coube ao vereador Ranulpho Paes de Barros fazer o discurso oficial da Casa. Fez uma síntese do período histórico que antecedeu a Revolução de 1964. Elogiou a gestão do presidente Castello Branco, que, de acordo com o vereador, dirigia os destinos da nação brasileira com a defesa das tradições democráticas e contra os regimes extremistas.
Após a fala dos dois vereadores, o ministro Costa e Silva ocupou a tribuna. Teceu elogios à presidente Ana Maria do Couto, única mulher naquela legislatura, que ocupava o posto de dirigente do parlamento, pessoa de beleza, graça e cultura. Destacou que o povo estava recebendo bem os ditames do novo governo, mesmo diante de sacrifícios, mas compreendiam que eram necessárias as medidas tomadas pelo novo governo. Provavelmente o general referia-se ao arrocho fiscal implantado pelo novo governo, com o aumento na cobrança de impostos e a contenção de salários e investimentos públicos. Tais medidas levariam ao aumento do PIB e à queda da inflação. Por fim, o ministro afirmou que levaria no peito aquela sincera homenagem e comunicaria ao Presidente da República o reconhecimento do povo cuiabano à Revolução, um estímulo para que o país continuasse na sua rota de dignidade.  
O general Costa e Silva pertencia ao grupo denominado como linha dura, que entendia que o governo de Castello Branco era de certa forma complacente com a oposição. A vitória de políticos de oposição nas eleições estaduais de 3 de outubro de 1965 fez com que o governo publicasse o Ato Institucional nº 2, legalizando as eleições indiretas para presidente e vice-presidente, aumentando os poderes do Executivo e estabelecendo o bipartidarismo, forçando a classe política a se posicionar como apoiadores (ARENA) ou opositores (MDB) ao regime.
Como um representante do grupo linha dura, Costa e Silva lançou a sua candidatura à presidência em janeiro de 1966, sem o apoio do presidente Castelo Branco. Foi eleito presidente pelo Congresso Nacional no dia 3 de outubro de 1966, tomando posse no dia 15 de março de 1967. Boris Fausto afirma que Costa e Silva iniciou o seu governo estabelecendo pontes com a oposição moderada e ouvindo os discordantes, mas acontecimentos, como a rearticulação da oposição, os movimentos da juventude em 1968 em prol da liberdade _ o que não combinava com um governo militar _ e o início da luta armada, fez com que Costa e Silva tivesse o seu governo marcado pelo Ato Institucional nº 5, que representou o endurecimento do regime com o suprimento de liberdades políticas para a garantia da sua manutenção. Ele não iria concluir o seu mandato presidencial. Adoeceu em agosto de 1969, sendo substituído por uma Junta Militar, e veio a falecer em 17 de dezembro do mesmo ano.
A homenagem prestada pelos vereadores e pela população cuiabana ao general Costa e Silva ocorreu em um momento em que o país vivia uma democracia controlada. Atos de violência empregados por militares eram investigados e direitos políticos cassados com base em denúncias de corrupção e de apoio ao comunismo, na maioria das vezes forjadas, é claro. Anos depois, o regime militar demonstrava que vinha para ficar, e não como um instrumento necessário e provisório para o restabelecimento da ordem e da retomada da democracia. O marechal Castello Branco afirmou, em seu discurso de posse, que transferiria o poder para um cidadão eleito pelo povo em 31 de janeiro de 1966. No entanto, a linha dura do regime fez com que os militares permanecessem no poder por 21 anos.
 
 
Danilo Monlevade
Secretaria de Apoio à Cultura
 
 
Fontes de Pesquisa:
BORIS, Fausto. História do Brasil. 2ª ed. São Paulo: USP, 2002.
LEMOS, Renato. Resumo Biográfico de Artur da Costa e Silva. CPDoc/FGV, sem data.
Livro Ata nº 29. Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.
O Estado de Mato Grosso. Edições: 4.781 4.787 4.788, 4.790 e 4.791.
Site Brasil Escola, UOL.
Tribuna Liberal. Edição 065.
Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
Cuiabá
Prefeitura de Cuiabá faz Cine Pipoca e fortalece convivência entre idosos
O Centro de Convivência para Idosos (CCI) Aideê Pereira, coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência, localizado no bairro Novo Horizonte, promoveu uma sessão especial de Cine Pipoca neste sábado (25), com a exibição do clássico brasileiro Menino da Porteira. A iniciativa integra o planejamento das atividades desenvolvidas pela unidade e marca o início de uma semana de ações voltadas ao fortalecimento dos vínculos, da convivência e da integração entre os participantes. O filme agradou ao público presente, cerca de 30 idosos, que já clamaram por mais filmes.
Além de proporcionar um momento de lazer, a exibição, com direito a pipoca e suco e, antes, café da manhã com frutas e uma oração, foi cuidadosamente planejada pela equipe técnica do CCI como ferramenta de trabalho. A proposta de utilizar a obra teve como objetivo estimular reflexões sobre amizade, companheirismo, respeito e o viver em comunidade, valores presentes na narrativa e que fazem parte das temáticas trabalhadas diariamente com os idosos.
“Tudo o que é feito dentro do Centro de Convivência para Idosos Aideê Pereira é planejado e voltado para o benefício do idoso. Dentro dessas temáticas, nós planejamos esse filme para trabalharmos a interação social e o convívio com as pessoas, com o meio onde estão inseridos. Todas as atividades realizadas no Centro de Convivência são pensadas para proporcionar benefícios aos participantes, promovendo qualidade de vida, socialização e fortalecimento das relações interpessoais”, frisou o educador físico Douglas Vinícius Silva Lenzi.
Dona Aparecida Lima de Jesus, 68 anos, e o esposo, Manoel Cândido de Jesus, 65, estão juntos há 47 anos e compareceram para ver o filme. Ambos não conheciam a história de Menino da Porteira e gostaram. “Foi ótimo, amei”, declarou ela, com a concordância do seu Manoel, que também aplaudiu a exibição. Eles endossaram o coro dos participantes, pedindo outras produções.
Adelaide Florentina de Jesus Santana, 63 anos, também se agradou do que viu e torce para que venham mais. Ela não perde as atividades oferecidas no CCI Aideê Pereira desde que começou a frequentá-lo, há cerca de um ano, por indicação médica, e relata com gratidão a mudança que teve na vida pessoal.
“Vixi, melhorei muito depois que passei a frequentar aqui, até meus filhos agradeceram. Eu era inchada, com dores nas pernas, mal conseguia andar, estava com ansiedade, depressão. Hoje sou outra pessoa, fez bem para o meu físico e para a minha mente. Aos domingos, que não tem programação, fico em casa dormindo. Se não fosse o CCI, eu já teria morrido”, afirmou Adelaide.
Seguindo o objetivo, a programação inspirada no filme terá continuidade ao longo da semana. “Na segunda-feira, durante o encontro do grupo de coral, os idosos ensaiarão a canção Menino da Porteira ao lado do violeiro Juracy Alves do Bonfim, 89 anos, integrante do grupo de viola. A proposta é unir os dois grupos em uma apresentação especial, na terça-feira, a partir das 8h, quando apresentarão a música, reunindo o grupo de violeiros e o coral de idosos do CCI”, explicou a gerente do CCI e fisioterapeuta, Evânia Alves Tito.
O evento de terça-feira contará com baile e dinâmicas recreativas, tradição da unidade, que costuma reservar espaço para que os próprios idosos possam demonstrar seus talentos e se apresentar diante dos colegas, valorizando o protagonismo, a autoestima e a participação ativa de cada um.
O CCI Aideê Pereira oferece diversas atividades, entre elas educação física para atender diferentes perfis de idosos, pilates solo, crochê, ginástica voltada à resistência muscular, com exercícios de repetição semelhantes aos da musculação, direcionada aos idosos com maior capacidade física, aulas de mobilidade, ritmo e coordenação motora, com música e dança (como passinho), e atividades para idosos com maior dificuldade de mobilidade, com foco na redução de dores, correção da postura, melhora da mobilidade e atendimento a pessoas com algumas doenças cognitivas.
A unidade conta com 298 idosos cadastrados, sendo 120 que participam ativamente, e quatro educadores físicos. Três deles atuam no período da manhã, cada um especializado em um perfil de público, além de pedagoga e assistente social.
“O principal objetivo do trabalho é acolher, fortalecer vínculos e promover o bem-estar dos idosos, cuidando não apenas da mobilidade e da saúde física, mas também dos aspectos emocional, social e espiritual. O CCI se tornou uma segunda casa para muitos participantes, que sentem falta das atividades nos fins de semana e fazem questão de comparecer quando há programação aos sábados”, relatou Evânia.
CCI Padre Firmo
No Centro de Convivência para Idosos Padre Firmo Duarte Pinto, no Dom Aquino, o sábado foi de ‘mão na massa’. Cerca de 10 participantes produziram pizzas, pães, a tradicional cueca virada, entre outros alimentos. No final, todos puderam saborear a produção, quentinha e feita na hora.
Entre eles, o casal Maria Salete da Silva Costa, 64 anos, e o marido, Antônio, 69. Eles são casados há 45 anos, mas ele já fazia pão bem antes e costumava sempre levar para ela na época do namoro. “Ele me conquistou, levava pão para mim lá em casa quando a gente namorava, me conquistou fazendo pão”, brincou Maria Salete.
O tempo passou, vieram os filhos. Hoje, uma filha é confeiteira e toda a família acabou se envolvendo e ampliando a produção, incluindo pizzas também. “Foi uma coisa nova, tudo eu invento para ele fazer e unir a família. Para mim, é o maior prazer da minha vida ter minha família unida”.
A iniciativa foi aprovada pelos idosos, alguns levaram netos, e pela equipe do CCI, que acompanhou a atividade liderada pela gerente do CCI Padre Firmo, Ely Ane Campos de Arruda.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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