Cidades
Gilberto Mello fala sobre o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães de 2026 ao Programa Variedades
Secretário Gilberto Mello destaca impacto cultural e econômico do evento, que reúne artistas nacionais, internacionais e talentos regionais.
Cidades
O tradicional Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães segue consolidado como um dos maiores eventos culturais de Mato Grosso e aposta, mais uma vez, em uma programação diversificada para atrair diferentes públicos. Durante entrevista ao jornalista João de Oliveira, o secretário de Governo do município, Gilberto Mello, falou sobre os bastidores da organização, a escolha das atrações e o impacto do festival na economia local.
Com quase quatro décadas de história, o evento já se tornou referência nacional e, segundo o secretário, vai além de uma simples festa popular. “Eu nunca falo que é festa. O Festival de Inverno é um grande evento cultural. Estamos falando de um evento com 39 anos de história e que no ano que vem completa 40 anos. Ele mexe com o Brasil todo, porque em vários lugares as pessoas já ouviram falar do Festival de Inverno de Chapada”, afirmou.
A programação deste ano aposta em uma grade ampla, com artistas de diferentes estilos musicais. Para Gilberto Mello, essa diversidade é essencial para garantir que o festival alcance públicos variados e mantenha o caráter cultural do evento.
“O Festival de Inverno é um evento cultural e precisa atender todas as classes. Do pagode ao sertanejo, passando pelo rock. A gente tenta agradar todo mundo. Montar essa grade é difícil, mas buscamos equilíbrio para oferecer atrações que realmente tenham público”, explicou.
Entre os nomes confirmados estão artistas consagrados da música brasileira e internacional. A abertura será com Fernandinho, seguida de atrações como Edson e Hudson, Information Society, Snap e Noel, Humberto e Ronaldo e o grupo Akatu. Na semana do aniversário da cidade, a programação inclui Amado Batista e Gabriel Sater, filho do consagrado músico Almir Sater. A agenda também prevê uma noite dedicada ao rock, com shows de Paulo Ricardo e da banda Nenhum de Nós, além do encerramento com o cantor Ferrugem.
Segundo o secretário, a expectativa é de grande público, especialmente para o show de Amado Batista. “Eu estou apostando muito no Amado Batista. O flashback também vai explodir, mas pelo que estou vendo na cidade, o Amado Batista vai surpreender em público”, comentou.
Outro destaque da programação é a noite dedicada ao flashback, reunindo DJs e músicas que marcaram época. A ideia resgata a própria trajetória de Gilberto Mello, que iniciou sua carreira no setor de eventos e sonorização.
“Eu trabalhei a vida inteira com som, iluminação e produção de eventos. Isso ajuda muito na hora de montar a grade. A gente tem um certo norte na contratação, porque não adianta trazer artista se não tiver público. Não dá para gastar dinheiro público sem retorno”, afirmou.
Além das atrações principais, o festival também abre espaço para novos talentos. O secretário ressaltou a importância do chamado “palco 2”, destinado a artistas emergentes.
“No palco principal precisamos ter muito cuidado com a escolha das atrações, mas no palco dois a gente dá liberdade. É lá que surgem os grandes artistas. Às vezes alguém diz que não conhece determinada banda, mas ela está tendo sua oportunidade. Quem sabe no ano seguinte já esteja no palco principal”, disse.
De acordo com ele, o festival recebe centenas de inscrições de músicos interessados em participar. “São cerca de 300 inscrições e precisamos escolher entre 50 e 70 artistas. Eu queria poder atender todo mundo, mas infelizmente não dá. Mesmo assim, quem tenta precisa acreditar que um dia vai ter sua oportunidade”, afirmou.
Gilberto Mello citou inclusive casos de artistas que começaram no festival e hoje seguem carreira consolidada. “Teve um artista que tocou praticamente para três pessoas. Mas ele tocou como se estivesse diante de três mil. Aproveitou a estrutura do festival, gravou o show e usou aquilo para se promover. Hoje está tocando pelo Mato Grosso inteiro”, contou.
Além do aspecto cultural, o festival também exerce papel importante na economia de Chapada dos Guimarães. O evento movimenta hotéis, restaurantes e o comércio local, especialmente em períodos de instabilidade turística.
Nos últimos anos, comerciantes chegaram a manifestar preocupação diante de incertezas relacionadas ao acesso ao município, principalmente após discussões sobre intervenções no Portal do Inferno, uma das principais rotas de acesso à cidade.
“O empresariado sofreu muito com essa dúvida se ia ter evento ou não. Por isso a prefeitura tem buscado manter os eventos e fortalecer o turismo. O Festival de Inverno movimenta toda uma cadeia econômica”, explicou.
O secretário também fez questão de destacar o trabalho da equipe envolvida na organização do evento, citando profissionais que atuam nos bastidores, como a assessoria de imprensa e a produção dos camarotes.
“Tem muita gente trabalhando para que tudo aconteça. A Lênia na assessoria de imprensa, a Nichelle na produção dos eventos e a Marielle na organização dos camarotes. É um trabalho coletivo para que o festival continue crescendo”, ressaltou.
Com programação gratuita, o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães acontece entre os dias 23 de julho e 4 de agosto. Embora o acesso aos shows seja aberto ao público, haverá espaços de camarote destinados a quem busca mais conforto durante as apresentações.
Para Gilberto Mello, a expectativa é de mais uma edição histórica. “Cada ano o festival surpreende mais. Não é só o evento em si, mas toda uma sociedade que gosta de Chapada, que visita a cidade e ajuda a movimentar o turismo e a cultura”, concluiu.
Várzea Grande
Várzea Grande celebra o Dia da Mulher Negra com debates, empreendedorismo e valorização da ancestralidade
A Orla Alameda, em Várzea Grande, foi palco na manhã deste sábado (25) do V Seminário das Pretas, evento realizado em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela. A programação reuniu feira de empreendedorismo, rodas de conversa, palestras e exposições, promovendo reflexões sobre a valorização da cultura afro-brasileira, a ancestralidade e os desafios enfrentados pelas mulheres negras.
Realizado pelo Fórum das Pretas, o encontro contou com o apoio da Prefeitura de Várzea Grande e reuniu representantes de movimentos sociais, empreendedoras, lideranças comunitárias e a população em geral em um espaço de diálogo, fortalecimento e celebração da identidade negra.
Coordenadora do Fórum das Pretas, Elis Regina Prates explicou que o seminário já se consolidou como um importante momento de reflexão e fortalecimento da luta das mulheres negras no município.
“Estamos realizando o quinto Seminário das Pretas por ocasião do 25 de julho, data que celebra o Dia Internacional das Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas e também o Dia Nacional de Tereza de Benguela. É uma oportunidade para refletirmos sobre nossa cultura, fortalecer nossas manifestações e renovar as energias para seguir enfrentando as batalhas diárias das mulheres negras.”
Segundo Elis, o evento também busca chamar atenção para as desigualdades sociais ainda vividas por esse público.
“As mulheres negras ainda são maioria entre as mães solo, estão em grande parte no mercado informal de trabalho, são as maiores vítimas da violência doméstica e continuam sendo as principais cuidadoras das famílias. Precisamos discutir políticas públicas que contribuam para mudar essa realidade e garantir mais oportunidades.”
Além da programação cultural, a feira de empreendedorismo deu visibilidade ao trabalho de mulheres negras que comercializaram artesanato, alimentos, vestuário e outros produtos, incentivando a geração de renda e o fortalecimento da economia criativa.
Durante o seminário também foram realizadas duas mesas de debates. A primeira abordou a importância da ancestralidade e do legado das mulheres que abriram caminhos para as novas gerações. Já a segunda discutiu políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e de gênero, apontando avanços, desafios e propostas para ampliar direitos e melhorar a qualidade de vida das mulheres negras.
Ao defender medidas que ampliem a inclusão social, Elis destacou a importância de políticas afirmativas.
“Hoje entendemos que as cotas são uma forma de minimizar as desigualdades e criar oportunidades. Precisamos ampliar o acesso ao trabalho, à moradia e fortalecer políticas que garantam mais dignidade para as mulheres negras, especialmente aquelas que são chefes de família.”
Representando a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL), a superintendente de Cultura, Luh Arruda, ressaltou que abrir os espaços públicos para manifestações culturais e sociais é uma forma de valorizar a identidade do povo várzea-grandense e fortalecer a participação popular.
“A Orla Alameda é um espaço de todos e deve acolher iniciativas que preservam a memória, valorizam a cultura e promovem o diálogo. Apoiar eventos como o Seminário das Pretas é reconhecer a importância da identidade afro-brasileira na formação da nossa cidade e reafirmar o compromisso da gestão municipal com uma cultura democrática, inclusiva e acessível. Cada encontro como este fortalece a luta por igualdade e mantém viva a história e as tradições da nossa população.”
Ao reunir cultura, empreendedorismo e debates sobre direitos, o V Seminário das Pretas reafirmou a importância da mobilização social na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, celebrando a força, a resistência e o protagonismo das mulheres negras em Várzea Grande.
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