Cultura
Tradicional cortejo dos tambores silenciosos ganha as ruas de Olinda
Cultura
Berço e espaço de salvaguarda de várias manifestações culturais brasileiras, Olinda sempre tem espaço na sua programação carnavalesca para os grupos que mantêm essas tradições vivas. Nesta segunda-feira (9), várias nações de Maracatu participam da 27ª Noite para os Tambores Silenciosos, uma das cerimônias mais simbólicas do período pré-carnavalesco.

A concentração acontece, a partir das 20h, nos Quatro Cantos. Todos os grupos seguem em cortejo até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Bonsucesso. O ritual, que presta reverência aos ancestrais negros e às tradições de matriz africana, tem início à meia-noite.
Participam do encontro os maracatus Nação de Luanda, Leão Coroado, Camaleão, Badia, Maracambuco, Estrela de Olinda, Tigre, Sol Brilhante de Olinda e Maracatu Nação Pernambuco.
O público irá acompanhar as loas, que são cantadas; versos dos mestres e mestras; e os toques tradicionais realizados pelos membros dos maracatus.
À meia-noite, os tambores são silenciados para a realização da obrigação religiosa conduzida por lideranças espirituais, em homenagem aos que vieram antes e à força da cultura afro-pernambucana
Após o ritual, os batuques voltam a ecoar em conjunto, encerrando a cerimônia em um ato coletivo que simboliza resistência, fé e continuidade das tradições.
Cultura
Viva Maria: Coletivo Croa leva pulsação do carimbó para o Sul do país
O intercâmbio cultural entre a Amazônia e o Rio Grande do Sul marca o início de um dos maiores projetos de circulação artística do Brasil. O Coletivo Croa, grupo paraense com 12 anos de estrada, desembarca em Porto Alegre esta semana para apresentar o espetáculo “Corpos de Tambor”.

A performance é uma das 16 selecionadas para a 28ª edição do Palco Giratório (Sesc), que em 2026 prevê uma maratona cultural impressionante. Serão 113 cidades visitadas em todas as regiões, 381 apresentações ao longo do ano, 164 ações formativas (oficinas e debates).
O espetáculo “Corpos de Tambor” é uma imersão na cultura paraense, onde a música e a dança não se separam. Segundo Renan Rosário, diretor artístico do grupo, a obra nasce de uma pesquisa profunda sobre a sonoridade amazônica e a relação do indivíduo com o ritmo.
“Entendemos que o corpo tem uma pulsação própria. É como se tivéssemos um tambor interno que toca dentro da gente”, explica Renan.
Um dos grandes diferenciais do coletivo é o domínio técnico: os artistas tocam instrumentos percussivos e dançam simultaneamente. A trilha sonora é inteiramente autoral e utiliza o curimbó (tambor de Carimbó), instrumento símbolo da identidade do Pará.
Além da performance no palco, o grupo participa do “Pensamento Giratório”, um momento de intercâmbio onde o público pode conhecer os bastidores da pesquisa cênica e audiovisual desenvolvida pelo Coletivo Croa na Amazônia.
Apesar de já ter passado por Salvador e diversas regiões do Arquipélago do Marajó, esta é a primeira vez que o espetáculo circula pela região Sul do país. Para Renan, levar o tambor da “cidade das mangueiras” para Porto Alegre é uma oportunidade de conectar diferentes brasis através da arte independente.
O projeto Palco Giratório segue com atividades na capital gaúcha até sexta-feira (17), servindo como o ponto de partida para a turnê nacional que se estenderá até o final de 2026.
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