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Entenda como funciona a hemorrede de sangue em Mato Grosso

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O pedagogo Joemilton Taques, 42 anos, doador de sangue desde 2004, esteve na sede do MT Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, na quarta-feira (23.7), para fazer essa ação simples e rápida que salvará vidas.

“Quando eu estou doando sangue, eu sei que estou doando sangue para quatro pessoas e é muito importante porque a gente está salvando a vida. A gente pode precisar desse sangue e o MT Hemocentro está precisando muito de sangue para aumentar o nível de estoque”, destacou.

Já a psicóloga Diellen Silva, 30 anos, moradora de Barra do Bugres, sofreu acidente em uma estrada rural no último sábado (19.7) e precisou fazer transfusão de sangue no Hospital Metropolitano, em Várzea Grande. A transfusão possibilitou uma cirurgia no fêmur sem riscos agravados à paciente.

“Eu perdi sangue no acidente devido a cortes no queixo e no braço e, por isso, minhas plaquetas ficaram baixas. Eu ia fazer a cirurgia de colocar a haste no fêmur e eu precisava estabilizar as minhas plaquetas”, contou.

Após precisar de transfusão, Diellen mudou sua perspectiva de ter medo de doar sangue e disse que agora pretende se tornar doadora para ajudar outras pessoas. O Hospital Metropolitano é um dos que buscam o insumo no MT Hemocentro para conseguir salvar vidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, o MT Hemocentro atende a uma ampla rede de 14 Unidades de Coleta e Transfusão (UCTs) e 27 Agências Transfusionais (ATs) em todo o estado. Os locais dão suporte aos hospitais públicos de Mato Grosso que precisam de bolsas de sangue durante procedimentos cirúrgicos ou tratamentos.

As UCTs, no interior, assim como a sede do MT Hemocentro, na região central de Cuiabá, realizam a coleta de sangue dos voluntários. Após esse ato de amor ao próximo, o sangue coletado passa por processos de triagem laboratorial, processamento e controle de qualidade, que leva cerca de 72 horas para liberação dos resultados laboratoriais.

O MT Hemocentro faz o atendimento direto das ATs, realizando a coleta e abastecendo essas unidades, como Hospital Metropolitano, Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), Hospital Municipal São Benedito, Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM-UFMT), Pronto Socorro Municipal de Cuiabá e Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande, na região metropolitana.

Segundo o diretor Fernando Henrique Modolo, o MT Hemocentro tem como missão garantir a coleta, o processamento, a distribuição e o controle de qualidade dos hemocomponentes, produtos derivados do sangue, obtidos através de processos físicos e utilizados para transfusão.

“O consumo de hemocomponentes varia conforme o porte hospitalar e perfil regional das unidades. Então, o MT Hemocentro realiza a distribuição após receber pedidos para repor estoque. O transporte respeita toda uma logística, conforme leis vigentes do ciclo do sangue, e é realizado pelas unidades solicitantes”, explicou Modolo.

Em junho, a distribuição geral de hemocomponentes do MT Hemocentro foi de 2.559 bolsas em todo o Estado. A Agência Transfusional do HMC foi a unidade que mais consumiu, com 475 bolsas, seguido pela do Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande, com 399, e a do Hospital Metropolitano, com 328 bolsas.

O sangue coletado aprovado nos testes tem validade entre 35 e 42 dias para uso transfusional. “Porém, ele não fica esse tempo todo no MT Hemocentro. À medida que as bolsas de sangue vão entrando no nosso estoque, ao mesmo tempo vão saindo, porque todos os dias tem pedido dos hospitais atendidos”, informou o diretor.

No momento, a sede do MT Hemocentro e as Unidades de Coleta e Transfusão de Cáceres, Rondonópolis e Sinop produzem plaquetas, e a validade desse componente essencial para a coagulação é de somente cinco dias.

Já o crioprecipitado, um concentrado de proteínas plasmáticas obtido do plasma fresco congelado e que é usado para tratar sangramentos, como em pacientes hemofílicos, é produzido apenas na sede do MT Hemocentro.

A Agência Transfusional do Hospital Metropolitano estima que a unidade realiza a transfusão de, em média, 200 bolsas de hemocomponentes por mês, além de preparar cerca de 100 reservas cirúrgicas para procedimentos programados.

“Embora o foco principal sejam as cirurgias de alta complexidade, a transfusão sanguínea também é indicada em outras situações clínicas que envolvem risco à vida, como anemias graves, complicações hemorrágicas, distúrbios de coagulação e para pacientes críticos internados em UTI”, explicou a diretora do Hospital Metropolitano, Cristiane de Oliveira.

Ela ainda informou que o estoque da agência é monitorado diariamente e as solicitações de sangue ao MT Hemocentro são realizadas de forma programada, considerando o perfil cirúrgico dos pacientes, a taxa de utilização e a segurança do estoque mínimo. Em situações pontuais de maior consumo, também faz pedidos extras, conforme a necessidade.

Sempre que possível, os familiares e amigos dos pacientes são convidados a doar, principalmente, porque o sangue tem validade limitada e o estoque depende da colaboração contínua da população. O ônibus de coleta do MT Hemocentro estará no estacionamento do Hospital Metropolitano nos dias 12 e 13 de agosto, das 8h30 às 12h, e das 13h às 15h30.

“É uma forma de manter o equilíbrio do sistema público de hemoterapia, beneficiando não apenas os nossos pacientes, mas toda a rede estadual. Por isso, convidamos toda a comunidade a participar deste ato de solidariedade que salva vidas”, concluiu Cristiane.

De acordo com a coordenadora da Hemorrede Estadual de Mato Grosso, Dilce de Matos, os estoques precisam ser reforçados em períodos de feriados prolongados e férias escolares (janeiro, julho e dezembro), por causa das viagens da população.

“Realizamos dezenas de campanhas para manter a quantidade mínima adequada e continuar atendendo as unidades de saúde, pois nestas datas costuma haver uma baixa expressiva na reserva da Hemorrede/MT Hemocentro, tanto pela alta nas solicitações devido aos índices de acidentes relacionado a viagens de férias e períodos que ocorrem doenças secionais onde há suporte transfusional, e pela redução das doações dos voluntários”, destacou Dilce.

Saiba mais sobre a Hemorrede

A UCT é um serviço hemoterápico que coleta sangue e seus componentes. Depois, envia as amostras de sangue coletadas para o MT Hemocentro realizar os exames sorológicos e hematológicos. A unidade processa, armazena e transfunde os hemocomponentes (após receberem resultados sorológicos e de Teste de Ácido Nucleico – Teste NAT), e realiza a distribuição dos componentes sanguíneos para uso hospitalar ou ambulatorial para fins transfusionais.

As 14 UCTs estão distribuídas nas cidades de Água Boa, Alta Floresta, Barra do Bugres, Barra do Garças, Cáceres, Colíder, Juara, Juína, Porto Alegre do Norte, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Tangará da Serra. Cinco deles ficam dentro de Hospitais Regionais, também da SES.

Já a AT é um serviço hemoterápico de menor complexidade, que não coleta sangue, e apenas recebe os hemocomponentes prontos, armazena e realiza transfusões de sangue em pacientes internados ou ambulatoriais.

As 27 ATs estão localizadas em Brasnorte, Campo Novo do Parecis, Campo Verde, Canarana, Confresa, Cuiabá, Diamantino, Guarantã do Norte, Jaciara, Lucas do Rio Verde, Mirassol D´Oeste, Nova Xavantina, Nova Mutum, Paranatinga, Peixoto de Azevedo, Poconé, Pontes e Lacerda, Poxoréo, Querência, São Félix do Araguaia, Sapezal, Várzea Grande e Vila Rica.

Serviço

O MT Hemocentro é coordenador e referência em hematologia e hemoterapia em Mato Grosso. A sede está localizada na rua 13 de Junho, 1.055, em Cuiabá, e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h.

Caso prefira realizar o agendamento da doação de sangue, basta acessar este link: https://mthemocentro.saude.mt.gov.br/. O voluntário também pode agendar a doação pelo telefone (65) 98433-0624 (WhatsApp, somente mensagem) ou pelo número (65) 3623-0044, ramais 2024, 2025 e 2026.

Fonte: Governo MT – MT

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Recurso do MPMT garante condenação por estupro de vulnerável

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A 1ª Promotoria de Justiça de Alto Araguaia (a 415 km de Cuiabá) obteve decisão favorável em recurso de apelação criminal julgado pela Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Por unanimidade, os desembargadores reformaram a sentença de primeiro grau e condenaram um homem pelo crime de estupro de vulnerável, com incidência da causa de aumento pelo fato de o autor do crime possuir uma relação de parentesco, cuidado, confiança ou autoridade sobre a vítima. A pena foi fixada em 12 anos de reclusão, em regime inicial fechado.Conforme apurado durante as investigações, o crime ocorreu em dezembro de 2023 e consistiu na prática de ato libidinoso contra uma criança de 4 anos. O condenado exercia a função de avô adotivo e cuidador da vítima.A denúncia veio à tona após a criança relatar espontaneamente os abusos à mãe. Em seguida, o caso foi comunicado ao Conselho Tutelar e às autoridades policiais. Durante acompanhamento psicológico, a vítima voltou a mencionar os fatos e os representou graficamente em atividade lúdica conduzida por profissional especializado.Em primeira instância, o réu foi absolvido por insuficiência de provas. A decisão considerou, principalmente, a ausência de confirmação dos fatos pela criança durante o depoimento especial judicial, a retratação da mãe, que afirmou ter inventado a acusação em razão de disputa pela guarda da filha, e a hipótese de falsa memória infantil.Ao analisar o recurso apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o TJMT concluiu que a retratação da genitora ocorreu em contexto de pressão familiar e dependência econômica em relação ao núcleo familiar do acusado. Segundo o acórdão, a própria mãe admitiu ter coagido fisicamente a criança para que alterasse sua versão, circunstância interpretada pelo Tribunal como pressão física e psicológica exercida sobre a vítima.Os desembargadores também destacaram que o silêncio da criança durante o depoimento especial não afasta a ocorrência do crime. Para a Justiça, fatores como o tempo transcorrido entre os fatos e a oitiva, o ambiente formal do procedimento e as dinâmicas familiares de silenciamento devem ser considerados na análise do conjunto probatório.O acórdão ainda ressaltou que a inexistência de vestígios físicos não é suficiente para descaracterizar o delito, especialmente nos casos envolvendo atos libidinosos diversos da conjunção carnal, que nem sempre deixam marcas aparentes.Com fundamento no Enunciado Orientativo nº 10 do TJMT e em precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a decisão reafirmou que, nos crimes contra a dignidade sexual, a palavra da vítima possui especial relevância probatória quando corroborada por outros elementos de prova, como laudos psicológicos e depoimentos técnicos.Na fixação da pena, foi considerada negativamente a culpabilidade do réu em razão da pouca idade da vítima. O Tribunal também reconheceu a atenuante da senilidade do condenado, mantendo, contudo, a pena intermediária no mínimo legal, conforme entendimento consolidado na Súmula 231 do STJ. Na fase final da dosimetria, foi aplicada a causa de aumento de pena prevista no artigo 226, inciso II, do Código Penal, em razão da condição de ascendente por afinidade e da autoridade exercida pelo réu no ambiente familiar.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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