Opinião
Agosto lilás: Conheça o Ciclo da Violência
Opinião
A Psicóloga norte-americana Lenore Walker em seus estudos e pesquisas afirma que as agressões no contexto conjugal ocorrem dentro de um ciclo que é constante e repetitivo, como uma espiral e se dão por fases.
Fase 1: Aumento da tensão:
Nesse momento, o agressor mostra-se tenso e irritado por coisas insignificantes, chegando a ter acessos de raiva. Ele também humilha a vítima, faz ameaças e destrói objetos. A mulher tenta acalmá-lo, fica aflita e evita qualquer coisa que possa “provocá-lo”. As sensações são muitas: tristeza, angústia, ansiedade, medo e desilusão, são apenas alguns exemplos.
Ela entra num processo de negação, que não está acontecendo com ela, esconde os fatos das demais pessoas e acha que fez algo de errado para justificar o comportamento violento do agressor, ou que ele teve “um dia ruim no trabalho”, ou outra desculpa. A tensão pode durar dias ou anos, como vai aumentando é possível que evolua para a outra fase.
Fase 2: Ato de violência:
Explosão do agressor, falta de controle e então chega ao ato violento. Toda tensão acumulada na fase 1 se materializa em violência verbal, física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial.
Mesmo consciente de que o agressor está fora de controle e tem poder destrutivo grande em relação a sua vida, o sentimento da mulher é de paralisia e impossibilidade de reação. Nessa fase a tensão psicológica é severa, insônia, perda ou ganho de peso, fadiga constante, ansiedade, medo, ódio, solidão, pena de si mesma, vergonha, confusão e dor.
Nesse momento ela pode tomar decisões e as mais comuns são: procurar ajuda, denunciar, esconder-se em casa de amigos ou parentes, pedir separação e até mesmo SUICIDAR-SE.
Há o distanciamento do agressor.
Fase 3: “Lua de mel”:
Se caracteriza pelo arrependimento do agressor, que se torna amável para reconciliar-se. Oferece flores, jantares, etc. A mulher se sente confusa, pressionada a manter o casamento, sobretudo quando tem filhos. Ela abre mão dos seus direitos e recursos, enquanto ele diz que vai mudar.
Há um período relativamente calmo nessa fase, em que a mulher se sente feliz, por constatar os esforços e as mudanças de atitudes, começa a lembrar dos mementos bons e como há demonstração de remorso, ela se sente responsável por ele, o que estreita a relação de dependência entre vítima e agressor.
Um misto de medo, confusão, culpa e ilusão fazem parte dos sentimentos da mulher.
Por fim, a tensão volta e, com ela, as agressões das outras fases (1 e 2).
As mulheres que estão nessa espiral, não falam sobre o problema por vergonha, medo, constrangimento. Os agressores constroem uma autoimagem de parceiros perfeitos e bons pais, dificultando a revelação da violência.
Por isso, é inaceitável a ideia de que a mulher permanece na relação violenta por “gostar de apanhar”. Com o tempo, o intervalo de uma fase e outra ficam menores e as agressões passam a acontecer sem obedecer a ordem das fases. Com o silêncio das vítimas, o agressor não se sente responsabilizado pelos seus atos. Muitas mulheres não conseguem ter a percepção de que estão vivendo neste ciclo. Em alguns casos esta espiral se encerra com o assassinato da vitima – FEMINICÍDIO.
Se você se reconheceu vivenciando uma dessas fases e têm filhos/as, saiba que eles/as também são vítimas. Estão sentindo medo e raiva do agressor, o comportamento deles está mudando, podem apresentar déficit de atenção (na escola), agressividade, quando agressor chega em casa se fecham, podem sofrer esgotamento emocional, taquicardia, síndrome do pânico, crise de ansiedade, depressão, compulsão alimentar, dependência química, alcoolismo, agressividade, entre outras, é fundamental que recebam tratamento psicológico juntamente com a mãe ao ficarem livres dessas agressões.
Saiba que, apesar da evolução apresentada desde a Lei conhecida como Maria da Penha ( Lei -11.340/2009) até o chamado Pacote Antifeminicídio (que majorou as penas dos crimes cometidos no contexto da violência doméstica, não houve diminuição dos casos. O FEMINICÍDIO, que é o ato final da violência, fez, somente no Estado de Mato Grosso, 46 vítimas em 2023, somente 8 vítimas com Medidas Protetivas e 47 vítimas em 2024, somente 1 vítima com Medidas Protetivas e em 2023 foram 60 tentativas de Feminicídio e em 2024 foram 66 e somente até o mês de julho deste ano, temos 30 casos registrados, de Feminicídio , sendo que a arma mais utilizada em 57% dos casos é a “branca” : facas e similares.
É assustador! Isso porque estamos falando somente do Feminicidio, se falarmos dos índices de registros por outros crimes praticados contra as mulheres em nosso Estado, com certeza o susto será maior ainda!
O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de países que mais matam. Uma mulher é morta a cada 6 horas, dentro de suas casas, onde deveria se sentir protegida e na maioria dos casos o crime ocorre na frente dos filhos/as. É aterrorizante esses dados!
Então, não façam parte dessa terrível estatística. Sabemos que a dificuldade para se libertar é grande, por várias questões, além das já citadas por aqui, mas você pode ter sua vida transformada, reconstruída. Temos redes de apoio. Procurem ajuda o quanto antes!
Não desista de você!
Ligue 180 (funciona também pelo whatsapp, para receber orientações e ajuda).
Ligue 190 (se você estiver em perigo imediato ou presenciar qualquer tipo de violência contra a mulher).
Silvana Gomes Veloso e Silva – Historiadora e Bacharel em Direito e especialista em ensino superior e Violência de gênero
Opinião
No Brasil, o câncer ainda depende da renda para ser curado
No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer ainda pode depender da condição financeira do paciente. Essa é uma realidade que expõe, de forma clara, as limitações das políticas públicas de saúde e a dificuldade histórica do país em garantir acesso igualitário ao tratamento.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema: o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais, excluindo tumores de pele não melanoma. Mato Grosso deve registrar cerca de 8.680 novos casos de câncer por ano nesse mesmo triênio, totalizando cerca de 25,9 mil novos casos. Isso coloca Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de incidência do país.
Na prática, pacientes de baixa renda frequentemente chegam ao sistema de saúde com a doença em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura. Já aqueles que têm acesso à medicina privada costumam descobrir o câncer mais cedo, quando o tratamento é mais eficaz.
O tratamento do câncer no Brasil expõe a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos. Em 2025, o brasileiro trabalhou 149 dias — cerca de cinco meses — apenas para pagar impostos. Aproximadamente 40,82% da renda foi destinada ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Ainda assim, mesmo diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, os governos, ao longo de décadas, não implementaram medidas de saúde capazes de garantir condições eficazes e igualitárias de tratamento entre as diferentes classes sociais.
De forma objetiva, pode-se afirmar que a população mais pobre continuará morrendo mais, sofrendo mais, enfrentando maiores mutilações e limitações após o tratamento do câncer no país. Além disso, permanecerá mais tempo afastada de suas atividades profissionais e sociais, apresentará maiores taxas de aposentadoria precoce e menor produtividade, gerando impactos familiares e sociais relevantes. Em resumo, morrerá mais jovem, após enfrentar mais dor e sofrimento — consequências diretas de diagnósticos tardios e da incapacidade do Estado de oferecer uma saúde de melhor qualidade e mais equitativa.
É uma constatação que não pode mais ser ignorada: no Brasil, o tempo do diagnóstico ainda define quem tem mais chances de sobreviver.
Isso ocorre justamente em um momento de importantes avanços na medicina. Hoje, contamos com tratamentos mais personalizados, imunoterapia e o uso crescente de tecnologias para diagnóstico precoce. No entanto, o acesso a essas inovações ainda não é igual para todos.
O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado não pode depender da renda. Trata-se de um direito e de uma responsabilidade direta do Estado.
O Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, reforça a urgência desse debate. Não basta avançar na tecnologia — é preciso garantir que ela chegue a toda a população.
Em um ano eleitoral, essa realidade precisa deixar de ser apenas um diagnóstico e se tornar prioridade. É fundamental que propostas concretas para o enfrentamento do câncer — especialmente no acesso ao diagnóstico precoce — estejam no centro do debate público.
Como médico oncologista, professor e cirurgião, reforço: nenhum avanço substitui a prevenção. A alimentação equilibrada continua sendo um fator essencial na redução do risco de câncer, inclusive para quem já enfrentou a doença.
O Brasil vive um paradoxo entre avanço científico e desigualdade no acesso. Enfrentar o câncer exige mais do que tecnologia — exige decisão, investimento e compromisso com a equidade.
O enfrentamento do câncer no país não é apenas um desafio médico. É, sobretudo, uma escolha política — e essa escolha define, na prática, quem terá acesso à vida.
Dr. Wilson Garcia, Médico oncologista, professor e cirurgião, combatente da mortalidade por câncer no país.
-
Rondonópolis5 dias atrásRondonópolis inova com dia de lanche especial na merenda escolar
-
Polícia7 dias atrásPolícia Civil cumpre 97 ordens judiciais contra mais criminosos envolvidos em roubo em Confresa
-
Cultura5 dias atrásNúmero de escolas de samba no Grupo Especial do Rio vai aumentar
-
Cultura7 dias atrásMEC Livros já teve quase 300 mil acessos a obras online
-
Polícia6 dias atrásOperação Lei Seca prende cinco pessoas e remove 56 veículos em Cuiabá
-
Polícia6 dias atrásPolícia Civil cumpre oito mandados de busca e quatro pessoas acabam presas em Querência
-
Cultura5 dias atrásCNJ lança programa para promover a cultura no sistema prisional
-
Polícia6 dias atrásCorpo de Bombeiros realiza limpeza de pista após carreta carregada com eucalipto tombar na MT-240
