Opinião
Do caderno ao código: a nova educação já começou
Opinião
A transformação que impulsiona a Indústria 4.0 e impacta o mercado começa, cada vez mais, dentro da sala de aula. Preparar jovens para esse novo cenário exige repensar a forma de ensinar, aproximando teoria e prática por meio de um currículo mais dinâmico, tecnológico e conectado com a realidade do mundo do trabalho.
É nesse contexto que a robótica educacional se consolida como uma ferramenta estratégica, capaz de integrar conhecimento técnico, desenvolvimento humano e aprendizagem mão na massa. Mais do que formar futuros profissionais para a indústria, essa abordagem fortalece o ensino nas escolas, inclusive na rede pública, ao estimular o protagonismo dos estudantes e a aplicação prática do conhecimento.
Em Mato Grosso, o Serviço Social da Indústria (Sesi MT) tem atuado de forma decisiva nesse movimento, apoiando a formação de professores e a implementação da robótica educacional em escolas públicas. Por meio de mentorias, capacitações e parcerias com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a instituição contribui para ampliar o acesso a uma educação alinhada às transformações tecnológicas, fortalecendo escolas que estão na linha de frente dessa mudança.
Na prática, a robótica transforma a sala de aula em um espaço de experimentação e inovação. Os alunos aplicam conceitos de matemática, ciências e engenharia para resolver problemas reais, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades como pensamento computacional, criatividade, trabalho em equipe, liderança e tomada de decisão, competências cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.
Um dos grandes diferenciais da robótica educacional está na possibilidade de participação em modalidades que acompanham o desenvolvimento dos estudantes ao longo da vida escolar, com oportunidades de competições regionais, nacionais e internacionais. Esses torneios são realizados pela organização internacional FIRST (For Inspiration and Recognition of Science and Technology), operada pelo Sesi no Brasil.
Nas competições, estudantes de 9 a 15 anos participam da FIRST LEGO League Challenge (FLL), desenvolvendo robôs com peças LEGO para cumprir missões em um tapete temático, além de criar projetos de inovação conectados a problemas reais. Já na FIRST Tech Challenge (FTC), jovens de 14 a 18 anos constroem robôs de porte semi-industrial, integrando mecânica, eletrônica e programação, enquanto desenvolvem competências como gestão de projetos, captação de recursos e empreendedorismo.
Outra experiência relevante é a STEM Racing (antiga F1 in Schools), que desafia estudantes a projetar, testar e competir com carros em miniatura movidos a CO₂, vivenciando todas as etapas de uma escuderia — do design à estratégia. Já na FIRST Robotics Competition (FRC), considerada a categoria mais avançada, os robôs podem atingir até 1,5 metro de altura e pesar mais de 50 quilos.
Diversos jovens de Mato Grosso já representaram o estado em competições internacionais, evidenciando que o território também é fértil para a inovação. Em 2023, a equipe Tucaré, do Sesi Escola Cuiabá, conquistou prêmio internacional na final da STEM Racing, nos Emirados Árabes Unidos. Em 2024 e 2025, as equipes Canintech (Sinop) e Mutum-X (Nova Mutum), compostas por alunos da rede estadual que cursam o novo ensino médio no Senai MT, participaram do Mundial de Robótica, em Houston (EUA). No mesmo período, a equipe Brotherhood, do Sesi Escola Cuiabá, foi vice-campeã na FIRST LEGO League Open Africa Championship, na África do Sul.
Em 2026, Mato Grosso retorna ao cenário internacional com um marco importante: a equipe Young Inventors, do Sesi Escola Várzea Grande, formada exclusivamente por meninas, representará o Brasil no Mundial de Robótica, nos Estados Unidos. A conquista reforça o protagonismo feminino e contribui para romper o estigma de que a tecnologia é um espaço predominantemente masculino.
Essas experiências demonstram que a robótica educacional aproxima os estudantes das demandas da Indústria 4.0 e ainda fortalece a educação básica ao promover um ensino mais aplicado, inclusivo e conectado com o futuro. Ao transformar desafios em soluções tecnológicas, os jovens mostram que o conhecimento interdisciplinar pode gerar inovação com impacto real.
Investir em robótica educacional é, portanto, investir em uma educação mais relevante e alinhada ao nosso tempo. É reconhecer que a inovação começa na sala de aula — e que os profissionais que irão liderar a próxima geração da indústria estão sendo formados agora, com curiosidade, criatividade e capacidade de transformar conhecimento em soluções para os problemas reais enfrentados pela sociedade.
*Alexandre Serafim é superintendente Regional do Sesi Mato Grosso
Opinião
A violência contra a pessoa idosa também acontece no bolso
Valéria Lima
O Brasil está envelhecendo, e essa transformação exige um olhar cada vez mais atento para a proteção da pessoa idosa. Além do acesso à saúde e à previdência, é preciso assegurar que milhões de brasileiros envelheçam com autonomia, segurança e respeito aos seus direitos. Nesse contexto, a violência patrimonial e financeira tornou-se um dos desafios mais preocupantes da atualidade.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar esse desafio. O Censo Demográfico de 2022 identificou 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população. Em comparação com 2010, esse contingente cresceu 56%, reforçando a necessidade de ampliar políticas públicas e mecanismos de proteção voltados à população idosa.
O crescimento dessa população também evidencia outro desafio: o aumento dos casos de violência contra pessoas idosas. Em 2025, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 59.134 denúncias envolvendo esse público, sendo 66% das vítimas mulheres. Entre as diversas formas de violência, a patrimonial e financeira merece atenção especial por comprometer justamente a renda que garanta a subsistência, a autonomia e a qualidade de vida de milhares de aposentados e pensionistas.
A violência patrimonial ocorre quando terceiros utilizam o patrimônio ou a renda da pessoa idosa de forma indevida, mediante fraude, abuso de confiança, coação ou aproveitamento de sua condição de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer por meio de empréstimos consignados não autorizados, descontos indevidos em benefícios previdenciários, golpes bancários, falsificação de assinaturas ou, ainda, pela atuação abusiva de familiares ou pessoas próximas.
A legislação brasileira reconhece essa vulnerabilidade. A Constituição Federal assegura proteção especial à pessoa idosa, enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece garantias voltadas à preservação de sua dignidade, autonomia e patrimônio. O aumento desses casos tem motivado, inclusive, a discussão de novas medidas legislativas para fortalecer a prevenção, a identificação e o enfrentamento da violência patrimonial.
Na prática, muitos idosos só descobrem que foram vítimas quando percebem a redução inesperada do valor da aposentadoria ou da pensão. Em outros casos, desconhecem completamente a existência de contratos de empréstimos ou de descontos realizados em seus benefícios. Situações como essas não devem ser tratadas como algo “normal” ou inevitável. Ao contrário, exigem apuração e providências imediatas.
Algumas medidas simples podem fazer a diferença: acompanhar regularmente o extrato do benefício previdenciário, desconfiar de ligações oferecendo crédito fácil, nunca fornecer senhas ou códigos de confirmação por telefone e buscar esclarecimentos sempre que surgir qualquer movimentação financeira desconhecida. A informação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
Quando a fraude já ocorreu, o ordenamento jurídico oferece mecanismos para proteger a pessoa idosa. Dependendo do caso, é possível contestar administrativamente descontos indevidos, buscar a nulidade de contratos firmados sem consentimento, responsabilizar instituições financeiras e pleitear judicialmente a reparação dos prejuízos sofridos.
Na advocacia previdenciária, muitas vezes o processo vai além da discussão sobre um contrato ou um benefício. Em inúmeros casos, o que se busca preservar é a tranquilidade financeira de pessoas que trabalharam durante décadas e dependem dessa renda para custear medicamentos, alimentação, moradia e outras despesas essenciais.
Neste Dia dos Avós, talvez o melhor presente não esteja apenas nas homenagens, mas também na atenção. Conversar sobre golpes, acompanhar os extratos dos benefícios, orientar sobre cuidados nas relações financeiras e buscar auxílio jurídico diante de qualquer irregularidade são atitudes que demonstram respeito e responsabilidade.
Envelhecer com dignidade é um direito assegurado pela Constituição e pela legislação brasileira. Mais do que reparar prejuízos, proteger a pessoa idosa significa preservar sua autonomia, sua segurança e o respeito à história construída ao longo de uma vida inteira. Afinal, cuidar de quem sempre cuidou de nós também é garantir que seus direitos sejam efetivamente respeitados.
Valéria Lima, advogada especialista em Direito Previdenciário, Regime Geral (iniciativa privada) e Próprio (servidores públicos), MBA em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).
-
Política5 dias atrásPodemos define chapas e alianças em Convenção Estadual na terça (4)
-
Entretenimento4 dias atrásLarissa Manoela celebra 4 anos com André Luiz Frambach: ‘Escolho você todos os dias’
-
Política6 dias atrásOtaviano Pivetta visita Mercado do Porto e coleta demandas de melhorias
-
Mato Grosso6 dias atrásMPMT destaca atuação do Núcleo de Defesa da Vida no Tribunal do Júri
-
Cultura3 dias atrásMorre Luiz Carlos Barreto, referência do cinema nacional
-
Várzea Grande6 dias atrásEscolas da Rede Municipal recebem manutenção e reforço na limpeza para o retorno das aulas
-
Cultura5 dias atrásViva Maria: Flip 2026 celebra a força da língua portuguesa em Paraty
-
Cultura4 dias atrásViva Maria: Alessandra Roscoe, compartilha sua agenda na FLIP