Opinião
Novos traçados para Cuiabá
Opinião
Por Fernando Maia
Ao longo de mais de quatro décadas de atuação, acompanhei diferentes ciclos do setor imobiliário e percebo que Cuiabá alcançou um estágio raro de maturidade em seu mercado. Os lançamentos são rapidamente absorvidos e a procura é consistente, mas o que realmente transforma a cidade é a mudança no perfil do comprador. Hoje, famílias e profissionais consolidados buscam empreendimentos que traduzam qualidade de vida, integração com o entorno e senso de pertencimento.
Esse movimento se materializa de forma mais evidente na região Oeste, responsável por mais de 40% das vendas da capital no último trimestre. A área concentra empreendimentos que reúnem planejamento urbano, infraestrutura adequada e integração com o meio ambiente. A soma desses fatores resulta em bairros planejados que oferecem mobilidade, serviços e espaços de convivência em sintonia com o futuro da cidade.
O efeito desse padrão extrapola o setor imobiliário. Ele valoriza a terra, estimula novos investimentos e amplia a arrecadação municipal. O resultado é uma engrenagem positiva que fortalece a cadeia da construção civil, multiplica empregos e dinamiza o comércio local, ao mesmo tempo em que consolida a confiança de investidores de longo prazo. Mais do que recordes de vendas, o que se desenha é uma economia urbana sustentada por escolhas mais conscientes.
Esse cenário exige de nós, incorporadores e gestores, uma postura compatível com a responsabilidade de moldar a cidade. Não se trata apenas de replicar modelos, mas de compreender que cada empreendimento é uma peça no desenho urbano e precisa dialogar com mobilidade, sustentabilidade e identidade local.
Cuiabá vive a chance de transformar a liquidez em legado. Alinhar expansão a qualidade urbana é o caminho para consolidar não apenas um mercado forte, mas também uma capital capaz de projetar um novo padrão para o Centro-Oeste. O futuro que vislumbro é o de uma cidade mais estruturada, verde e integrada, resultado da convergência entre maturidade de mercado e visão de longo prazo.
*Fernando Maia, CEO da GT Urbanismo, acionista e membro do Conselho de Administração do Grupo SAGA, com mais de 40 anos de experiência no setor.
Opinião
No Brasil, o câncer ainda depende da renda para ser curado
No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer ainda pode depender da condição financeira do paciente. Essa é uma realidade que expõe, de forma clara, as limitações das políticas públicas de saúde e a dificuldade histórica do país em garantir acesso igualitário ao tratamento.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema: o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais, excluindo tumores de pele não melanoma. Mato Grosso deve registrar cerca de 8.680 novos casos de câncer por ano nesse mesmo triênio, totalizando cerca de 25,9 mil novos casos. Isso coloca Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de incidência do país.
Na prática, pacientes de baixa renda frequentemente chegam ao sistema de saúde com a doença em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura. Já aqueles que têm acesso à medicina privada costumam descobrir o câncer mais cedo, quando o tratamento é mais eficaz.
O tratamento do câncer no Brasil expõe a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos. Em 2025, o brasileiro trabalhou 149 dias — cerca de cinco meses — apenas para pagar impostos. Aproximadamente 40,82% da renda foi destinada ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Ainda assim, mesmo diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, os governos, ao longo de décadas, não implementaram medidas de saúde capazes de garantir condições eficazes e igualitárias de tratamento entre as diferentes classes sociais.
De forma objetiva, pode-se afirmar que a população mais pobre continuará morrendo mais, sofrendo mais, enfrentando maiores mutilações e limitações após o tratamento do câncer no país. Além disso, permanecerá mais tempo afastada de suas atividades profissionais e sociais, apresentará maiores taxas de aposentadoria precoce e menor produtividade, gerando impactos familiares e sociais relevantes. Em resumo, morrerá mais jovem, após enfrentar mais dor e sofrimento — consequências diretas de diagnósticos tardios e da incapacidade do Estado de oferecer uma saúde de melhor qualidade e mais equitativa.
É uma constatação que não pode mais ser ignorada: no Brasil, o tempo do diagnóstico ainda define quem tem mais chances de sobreviver.
Isso ocorre justamente em um momento de importantes avanços na medicina. Hoje, contamos com tratamentos mais personalizados, imunoterapia e o uso crescente de tecnologias para diagnóstico precoce. No entanto, o acesso a essas inovações ainda não é igual para todos.
O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado não pode depender da renda. Trata-se de um direito e de uma responsabilidade direta do Estado.
O Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, reforça a urgência desse debate. Não basta avançar na tecnologia — é preciso garantir que ela chegue a toda a população.
Em um ano eleitoral, essa realidade precisa deixar de ser apenas um diagnóstico e se tornar prioridade. É fundamental que propostas concretas para o enfrentamento do câncer — especialmente no acesso ao diagnóstico precoce — estejam no centro do debate público.
Como médico oncologista, professor e cirurgião, reforço: nenhum avanço substitui a prevenção. A alimentação equilibrada continua sendo um fator essencial na redução do risco de câncer, inclusive para quem já enfrentou a doença.
O Brasil vive um paradoxo entre avanço científico e desigualdade no acesso. Enfrentar o câncer exige mais do que tecnologia — exige decisão, investimento e compromisso com a equidade.
O enfrentamento do câncer no país não é apenas um desafio médico. É, sobretudo, uma escolha política — e essa escolha define, na prática, quem terá acesso à vida.
Dr. Wilson Garcia, Médico oncologista, professor e cirurgião, combatente da mortalidade por câncer no país.
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