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Ser professor é plantar esperança todos os dias

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*Por Katiuscia Manteli

Todos nós carregamos na memória o nome de um professor que marcou a nossa história. Aquele que acreditou em nós quando nem nós mesmos tínhamos tanta confiança. O olhar que incentiva, a palavra que conforta, a paciência que acolhe, são gestos que moldam não apenas o aprendizado, mas também o caráter e o futuro de cada aluno.

No Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, quero expressar minha admiração e gratidão a esses profissionais que fazem da educação uma missão diária de amor, dedicação e coragem. Ser professor é acreditar que vale a pena insistir, ensinar e cuidar. É compreender que cada estudante traz um universo de possibilidades, e que a educação é o caminho mais seguro para transformar realidades.

A educação tem um lugar especial na minha família, pois meu esposo, minha mãe, minha sogra e minhas tias são professores. Crescer cercada por pessoas que dedicam suas vidas a ensinar me fez compreender, desde cedo, a importância desse ofício e a força transformadora da educação.

Como madrinha da Escola Estadual Gustavo Kumann e da Escola Estadual Rodolfo Augusto Trechaud e Curvo, ambas em Cuiabá, tenho o privilégio de acompanhar de perto o trabalho de educadores que enfrentam desafios com uma força admirável. Mesmo diante das dificuldades, seguem firmes, reinventando-se todos os dias para garantir que o conhecimento continue chegando com qualidade e afeto.

Esses profissionais vão muito além do currículo escolar. Ensinam valores, despertam sonhos e mostram que a escola é um espaço de acolhimento, respeito e construção de cidadania. Eles fazem da sala de aula um lugar onde o aluno aprende não só a ler e a escrever, mas a acreditar em si mesmo.

Valorizar o professor é valorizar o futuro. É garantir condições dignas de trabalho, investir em formação continuada, oferecer planos de carreira justos e reconhecer o mérito de quem forma todas as outras profissões. Não há desenvolvimento econômico, justiça social ou igualdade de oportunidades sem educação, e não existe educação de qualidade sem professores respeitados e motivados.

A educação é, sem dúvida, a base de uma sociedade mais humana e solidária. E essa base é construída todos os dias por pessoas que escolhem ensinar, mesmo quando o cenário é desafiador, e transformam conhecimento em esperança e fazem da escola um ponto de partida para um mundo melhor.

Neste Dia dos Professores, deixo meu abraço e meu reconhecimento a cada educador e educadora de Cuiabá e de todo o nosso estado. Que nunca lhes falte respeito, carinho e, principalmente, esperança.

Sinto-me honrada em ser madrinha de duas escolas e testemunhar de perto o poder que a educação tem de transformar vidas. A cada visita, aprendo com esses profissionais que ensinar é muito mais do que um ofício, é um ato de fé no futuro.

*Katiuscia Manteli é jornalista e vereadora em Cuiabá (PSB).

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A violência contra a pessoa idosa também acontece no bolso

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Valéria Lima

 

O Brasil está envelhecendo, e essa transformação exige um olhar cada vez mais atento para a proteção da pessoa idosa. Além do acesso à saúde e à previdência, é preciso assegurar que milhões de brasileiros envelheçam com autonomia, segurança e respeito aos seus direitos. Nesse contexto, a violência patrimonial e financeira tornou-se um dos desafios mais preocupantes da atualidade.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar esse desafio. O Censo Demográfico de 2022 identificou 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população. Em comparação com 2010, esse contingente cresceu 56%, reforçando a necessidade de ampliar políticas públicas e mecanismos de proteção voltados à população idosa.

O crescimento dessa população também evidencia outro desafio: o aumento dos casos de violência contra pessoas idosas. Em 2025, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 59.134 denúncias envolvendo esse público, sendo 66% das vítimas mulheres. Entre as diversas formas de violência, a patrimonial e financeira merece atenção especial por comprometer justamente a renda que garanta a subsistência, a autonomia e a qualidade de vida de milhares de aposentados e pensionistas.

A violência patrimonial ocorre quando terceiros utilizam o patrimônio ou a renda da pessoa idosa de forma indevida, mediante fraude, abuso de confiança, coação ou aproveitamento de sua condição de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer por meio de empréstimos consignados não autorizados, descontos indevidos em benefícios previdenciários, golpes bancários, falsificação de assinaturas ou, ainda, pela atuação abusiva de familiares ou pessoas próximas.

A legislação brasileira reconhece essa vulnerabilidade. A Constituição Federal assegura proteção especial à pessoa idosa, enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece garantias voltadas à preservação de sua dignidade, autonomia e patrimônio. O aumento desses casos tem motivado, inclusive, a discussão de novas medidas legislativas para fortalecer a prevenção, a identificação e o enfrentamento da violência patrimonial.

Na prática, muitos idosos só descobrem que foram vítimas quando percebem a redução inesperada do valor da aposentadoria ou da pensão. Em outros casos, desconhecem completamente a existência de contratos de empréstimos ou de descontos realizados em seus benefícios. Situações como essas não devem ser tratadas como algo “normal” ou inevitável. Ao contrário, exigem apuração e providências imediatas.

Algumas medidas simples podem fazer a diferença: acompanhar regularmente o extrato do benefício previdenciário, desconfiar de ligações oferecendo crédito fácil, nunca fornecer senhas ou códigos de confirmação por telefone e buscar esclarecimentos sempre que surgir qualquer movimentação financeira desconhecida. A informação continua sendo uma das principais formas de prevenção.

Quando a fraude já ocorreu, o ordenamento jurídico oferece mecanismos para proteger a pessoa idosa. Dependendo do caso, é possível contestar administrativamente descontos indevidos, buscar a nulidade de contratos firmados sem consentimento, responsabilizar instituições financeiras e pleitear judicialmente a reparação dos prejuízos sofridos.

Na advocacia previdenciária, muitas vezes o processo vai além da discussão sobre um contrato ou um benefício. Em inúmeros casos, o que se busca preservar é a tranquilidade financeira de pessoas que trabalharam durante décadas e dependem dessa renda para custear medicamentos, alimentação, moradia e outras despesas essenciais.

Neste Dia dos Avós, talvez o melhor presente não esteja apenas nas homenagens, mas também na atenção. Conversar sobre golpes, acompanhar os extratos dos benefícios, orientar sobre cuidados nas relações financeiras e buscar auxílio jurídico diante de qualquer irregularidade são atitudes que demonstram respeito e responsabilidade.

Envelhecer com dignidade é um direito assegurado pela Constituição e pela legislação brasileira. Mais do que reparar prejuízos, proteger a pessoa idosa significa preservar sua autonomia, sua segurança e o respeito à história construída ao longo de uma vida inteira. Afinal, cuidar de quem sempre cuidou de nós também é garantir que seus direitos sejam efetivamente respeitados.

 

Valéria Lima, advogada especialista em Direito Previdenciário, Regime Geral (iniciativa privada) e Próprio (servidores públicos), MBA em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

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