Opinião
Trabalho e respeito pelo corretor mato-grossense
Opinião
Minha história com o mercado imobiliário e com o CRECI-MT não começou em gabinetes, mas na poeira das estradas de Sinop, em 1979. Naquela terra de oportunidades, encontrei muito mais do que uma profissão; encontrei o meu destino e construí o meu maior orgulho: uma família que respira a corretagem. Hoje, aos 51 anos, olho para o lado e vejo esposa, filhos, genros e noras compartilhando o mesmo propósito. É esse “DNA da corretagem”, forjado em 24 anos de dedicação desde os meus primeiros passos com o pioneiro Ari Daier, que sempre guiou cada decisão minha à frente do nosso Conselho.
Liderar o CRECI-MT por dois mandatos nunca foi um exercício de vaidade, mas um compromisso com a dignidade de quem faz do mercado imobiliário a força motriz de Mato Grosso. Saímos da posição de espectadores para nos tornarmos protagonistas.
Levamos o Conselho para onde a roda da economia gira, estruturando 9 delegacias regionais no Araguaia, no Nortão e no Médio-Norte. Nossa gestão não foi feita de promessas, mas de proteção real: triplicamos as ações de fiscalização — saltando de mil para mais de 3.400 intervenções em 2025 — protegendo o pão de cada dia do profissional honesto contra o exercício ilegal da profissão. Hoje, com mais de 20.900 inscritos, sinto que a categoria voltou a confiar em sua instituição.
Articulamos vitórias históricas no campo legislativo. Ao lado do deputado Eduardo Botelho, viabilizamos a Lei nº 12.451/2024, que garantiu aos corretores a intermediação em programas habitacionais do governo. Com a deputada Janaina Riva, avançamos na defesa de prerrogativas e, com o apoio do senador Wellington Fagundes e deputados Zé Trovão e José Medeiros, trabalhamos pautas complexas como o parcelamento rural e o PL 1.898/2025, que criminaliza o exercício ilegal da profissão.
No entanto, o crescimento de Mato Grosso enfrenta um gargalo: uma carga tributária que ameaça sufocar o setor. Recentemente, percorri o interior com seminários sobre os impactos da Reforma Tributária e lutei pela redução de impostos em debates municipais, com isso vi a urgência de termos uma voz técnica e ativa em Brasília para defender a nossa classe e todos que contribuem para o crescimento econômico do Estado. Por este motivo, decidi aceitar um novo chamado: a candidatura a Deputado Federal.
Não é uma despedida do Conselho, mas uma pausa, porque acredito que Mato Grosso precisa de um corretor de imóveis na Câmara dos Deputados que saiba o valor do suor de quem vende e constrói. Sigo com a mesma essência do jovem que chegou a Sinop há mais de quatro décadas: um líder que não foge da luta e que acredita que a nossa profissão é o pilar que sustenta o progresso do nosso estado.
*é corretor de imóveis e exerceu, por dois mandatos consecutivos, a presidência do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 19ª Região (CRECI-MT).
Opinião
A violência contra a pessoa idosa também acontece no bolso
Valéria Lima
O Brasil está envelhecendo, e essa transformação exige um olhar cada vez mais atento para a proteção da pessoa idosa. Além do acesso à saúde e à previdência, é preciso assegurar que milhões de brasileiros envelheçam com autonomia, segurança e respeito aos seus direitos. Nesse contexto, a violência patrimonial e financeira tornou-se um dos desafios mais preocupantes da atualidade.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar esse desafio. O Censo Demográfico de 2022 identificou 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população. Em comparação com 2010, esse contingente cresceu 56%, reforçando a necessidade de ampliar políticas públicas e mecanismos de proteção voltados à população idosa.
O crescimento dessa população também evidencia outro desafio: o aumento dos casos de violência contra pessoas idosas. Em 2025, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 59.134 denúncias envolvendo esse público, sendo 66% das vítimas mulheres. Entre as diversas formas de violência, a patrimonial e financeira merece atenção especial por comprometer justamente a renda que garanta a subsistência, a autonomia e a qualidade de vida de milhares de aposentados e pensionistas.
A violência patrimonial ocorre quando terceiros utilizam o patrimônio ou a renda da pessoa idosa de forma indevida, mediante fraude, abuso de confiança, coação ou aproveitamento de sua condição de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer por meio de empréstimos consignados não autorizados, descontos indevidos em benefícios previdenciários, golpes bancários, falsificação de assinaturas ou, ainda, pela atuação abusiva de familiares ou pessoas próximas.
A legislação brasileira reconhece essa vulnerabilidade. A Constituição Federal assegura proteção especial à pessoa idosa, enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece garantias voltadas à preservação de sua dignidade, autonomia e patrimônio. O aumento desses casos tem motivado, inclusive, a discussão de novas medidas legislativas para fortalecer a prevenção, a identificação e o enfrentamento da violência patrimonial.
Na prática, muitos idosos só descobrem que foram vítimas quando percebem a redução inesperada do valor da aposentadoria ou da pensão. Em outros casos, desconhecem completamente a existência de contratos de empréstimos ou de descontos realizados em seus benefícios. Situações como essas não devem ser tratadas como algo “normal” ou inevitável. Ao contrário, exigem apuração e providências imediatas.
Algumas medidas simples podem fazer a diferença: acompanhar regularmente o extrato do benefício previdenciário, desconfiar de ligações oferecendo crédito fácil, nunca fornecer senhas ou códigos de confirmação por telefone e buscar esclarecimentos sempre que surgir qualquer movimentação financeira desconhecida. A informação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
Quando a fraude já ocorreu, o ordenamento jurídico oferece mecanismos para proteger a pessoa idosa. Dependendo do caso, é possível contestar administrativamente descontos indevidos, buscar a nulidade de contratos firmados sem consentimento, responsabilizar instituições financeiras e pleitear judicialmente a reparação dos prejuízos sofridos.
Na advocacia previdenciária, muitas vezes o processo vai além da discussão sobre um contrato ou um benefício. Em inúmeros casos, o que se busca preservar é a tranquilidade financeira de pessoas que trabalharam durante décadas e dependem dessa renda para custear medicamentos, alimentação, moradia e outras despesas essenciais.
Neste Dia dos Avós, talvez o melhor presente não esteja apenas nas homenagens, mas também na atenção. Conversar sobre golpes, acompanhar os extratos dos benefícios, orientar sobre cuidados nas relações financeiras e buscar auxílio jurídico diante de qualquer irregularidade são atitudes que demonstram respeito e responsabilidade.
Envelhecer com dignidade é um direito assegurado pela Constituição e pela legislação brasileira. Mais do que reparar prejuízos, proteger a pessoa idosa significa preservar sua autonomia, sua segurança e o respeito à história construída ao longo de uma vida inteira. Afinal, cuidar de quem sempre cuidou de nós também é garantir que seus direitos sejam efetivamente respeitados.
Valéria Lima, advogada especialista em Direito Previdenciário, Regime Geral (iniciativa privada) e Próprio (servidores públicos), MBA em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).
-
Política5 dias atrásPodemos define chapas e alianças em Convenção Estadual na terça (4)
-
Entretenimento4 dias atrásLarissa Manoela celebra 4 anos com André Luiz Frambach: ‘Escolho você todos os dias’
-
Política5 dias atrásOtaviano Pivetta visita Mercado do Porto e coleta demandas de melhorias
-
Mato Grosso6 dias atrásMPMT destaca atuação do Núcleo de Defesa da Vida no Tribunal do Júri
-
Cultura3 dias atrásMorre Luiz Carlos Barreto, referência do cinema nacional
-
Várzea Grande6 dias atrásEscolas da Rede Municipal recebem manutenção e reforço na limpeza para o retorno das aulas
-
Cultura5 dias atrásViva Maria: Flip 2026 celebra a força da língua portuguesa em Paraty
-
Cultura4 dias atrásViva Maria: Alessandra Roscoe, compartilha sua agenda na FLIP