Opinião
Uma vida dedicada ao comércio de Mato Grosso
Opinião
Artigo escrito por Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), presidente do Sistema Fecomércio-MT
Minha história no comércio de Mato Grosso começou muito antes de assumir a presidência do Sistema Fecomércio-MT. Ela foi construída no dia a dia das empresas, ao lado de trabalhadores e empresários que acreditaram no potencial do nosso estado e ajudaram a transformar Mato Grosso em uma das economias mais dinâmicas do país.
Cheguei a Mato Grosso ainda criança e foi aqui que construí minha história. Comecei como vendedor e representante comercial, aprendendo que o sucesso de uma empresa depende de dedicação, planejamento e, principalmente, de pessoas. Nesse período, tive a oportunidade de estudar no Senac, experiência que reforçou uma convicção que carrego: a educação profissional transforma vidas.
Por isso, acredito tanto na capacitação dos jovens. Dar oportunidades para que eles aprendam e se qualifiquem é investir no futuro das empresas, das famílias e de Mato Grosso.
Em 1993, fundei a Fórmula Distribuidora, em Várzea Grande. Ao longo dos anos, novos empreendimentos surgiram, como o Auto Shopping Fórmula e a Vidan (indústria de rações) e hoje nossas empresas geram mais de 200 empregos. São famílias que dependem desse trabalho e que reforçam a responsabilidade social de quem empreende.
Também aprendi que empreender vai além da própria empresa. É preciso defender interesses coletivos e trabalhar pela construção de um ambiente de negócios mais justo.
Foi com esse propósito que, há cerca de 26 anos, participei da criação da Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores (AMAD) e, posteriormente, do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Mato Grosso (Sincad-MT). A união dos empresários fortaleceu o setor, ampliou sua representatividade e ajudou a preservar e gerar empregos.
Essa trajetória de cooperação me trouxe até a Fecomércio-MT. Assumir a presidência do Sistema Comércio representa a continuidade de um compromisso: fortalecer os sindicatos, aproximar a Federação dos empresários de todas as regiões do Estado, ampliar o alcance social do Sesc, fortalecer o Senac e defender um ambiente mais favorável ao desenvolvimento.
Acredito na força do empreendedorismo, do associativismo e do diálogo. Esses valores sempre guiaram minha caminhada e continuarão orientando meu trabalho. Fortalecer o comércio é fortalecer empresas, gerar oportunidades e contribuir para um Mato Grosso cada vez mais próspero.
Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli) é empresário em Mato Grosso há mais de 30 anos e está presidente do Sistema Fecomércio | Sesc | Senac | IPF-MT na gestão 2026-2030.
Opinião
A violência contra a pessoa idosa também acontece no bolso
Valéria Lima
O Brasil está envelhecendo, e essa transformação exige um olhar cada vez mais atento para a proteção da pessoa idosa. Além do acesso à saúde e à previdência, é preciso assegurar que milhões de brasileiros envelheçam com autonomia, segurança e respeito aos seus direitos. Nesse contexto, a violência patrimonial e financeira tornou-se um dos desafios mais preocupantes da atualidade.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar esse desafio. O Censo Demográfico de 2022 identificou 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população. Em comparação com 2010, esse contingente cresceu 56%, reforçando a necessidade de ampliar políticas públicas e mecanismos de proteção voltados à população idosa.
O crescimento dessa população também evidencia outro desafio: o aumento dos casos de violência contra pessoas idosas. Em 2025, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 59.134 denúncias envolvendo esse público, sendo 66% das vítimas mulheres. Entre as diversas formas de violência, a patrimonial e financeira merece atenção especial por comprometer justamente a renda que garanta a subsistência, a autonomia e a qualidade de vida de milhares de aposentados e pensionistas.
A violência patrimonial ocorre quando terceiros utilizam o patrimônio ou a renda da pessoa idosa de forma indevida, mediante fraude, abuso de confiança, coação ou aproveitamento de sua condição de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer por meio de empréstimos consignados não autorizados, descontos indevidos em benefícios previdenciários, golpes bancários, falsificação de assinaturas ou, ainda, pela atuação abusiva de familiares ou pessoas próximas.
A legislação brasileira reconhece essa vulnerabilidade. A Constituição Federal assegura proteção especial à pessoa idosa, enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece garantias voltadas à preservação de sua dignidade, autonomia e patrimônio. O aumento desses casos tem motivado, inclusive, a discussão de novas medidas legislativas para fortalecer a prevenção, a identificação e o enfrentamento da violência patrimonial.
Na prática, muitos idosos só descobrem que foram vítimas quando percebem a redução inesperada do valor da aposentadoria ou da pensão. Em outros casos, desconhecem completamente a existência de contratos de empréstimos ou de descontos realizados em seus benefícios. Situações como essas não devem ser tratadas como algo “normal” ou inevitável. Ao contrário, exigem apuração e providências imediatas.
Algumas medidas simples podem fazer a diferença: acompanhar regularmente o extrato do benefício previdenciário, desconfiar de ligações oferecendo crédito fácil, nunca fornecer senhas ou códigos de confirmação por telefone e buscar esclarecimentos sempre que surgir qualquer movimentação financeira desconhecida. A informação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
Quando a fraude já ocorreu, o ordenamento jurídico oferece mecanismos para proteger a pessoa idosa. Dependendo do caso, é possível contestar administrativamente descontos indevidos, buscar a nulidade de contratos firmados sem consentimento, responsabilizar instituições financeiras e pleitear judicialmente a reparação dos prejuízos sofridos.
Na advocacia previdenciária, muitas vezes o processo vai além da discussão sobre um contrato ou um benefício. Em inúmeros casos, o que se busca preservar é a tranquilidade financeira de pessoas que trabalharam durante décadas e dependem dessa renda para custear medicamentos, alimentação, moradia e outras despesas essenciais.
Neste Dia dos Avós, talvez o melhor presente não esteja apenas nas homenagens, mas também na atenção. Conversar sobre golpes, acompanhar os extratos dos benefícios, orientar sobre cuidados nas relações financeiras e buscar auxílio jurídico diante de qualquer irregularidade são atitudes que demonstram respeito e responsabilidade.
Envelhecer com dignidade é um direito assegurado pela Constituição e pela legislação brasileira. Mais do que reparar prejuízos, proteger a pessoa idosa significa preservar sua autonomia, sua segurança e o respeito à história construída ao longo de uma vida inteira. Afinal, cuidar de quem sempre cuidou de nós também é garantir que seus direitos sejam efetivamente respeitados.
Valéria Lima, advogada especialista em Direito Previdenciário, Regime Geral (iniciativa privada) e Próprio (servidores públicos), MBA em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).
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