Opinião
União Brasil: a democracia e o direito de escolher
Opinião
Por Jayme Campos
No próximo dia 30 de julho, o União Brasil viverá um dos momentos mais importantes de sua história recente em Mato Grosso. Nossa convenção estadual será a oportunidade para que filiados, lideranças e convencionais decidam, de forma democrática, os caminhos que o partido seguirá nas eleições de 2026.
Sempre defendi que um partido político se constrói ouvindo as pessoas. Um partido forte não pode pertencer a uma pessoa ou a um pequeno grupo. Ele pertence aos seus filiados, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados, lideranças e, sobretudo, à militância que veste a camisa e ajuda a construir nossa história em cada município deste imenso Mato Grosso.
É com esse espírito que chegamos à convenção do dia 30.
Tenho percorrido Mato Grosso, conversado com a população e ouvido lideranças das mais diferentes regiões. De norte a sul, do Araguaia ao oeste do Estado, tenho encontrado pessoas que desejam participar da construção de um novo projeto para Mato Grosso. Um projeto que coloque as pessoas no centro das decisões e tenha como prioridades uma saúde pública mais eficiente, educação de qualidade, segurança, geração de emprego, infraestrutura e desenvolvimento para todos os municípios.
Sou municipalista por convicção. Fui prefeito, governador, sou senador e sempre acreditei que é nos municípios que a vida acontece. É nas cidades que o cidadão precisa da escola funcionando, do posto de saúde atendendo, das estradas em boas condições e da presença efetiva do poder público.
Por isso, defendo que o União Brasil tenha candidatura própria ao Governo de Mato Grosso.
Nosso partido tem história, possui representação política, lideranças espalhadas por todo o Estado e homens e mulheres preparados para oferecer à população um projeto de governo. Não precisamos buscar fora aquilo que temos dentro de casa.
Também acredito que a democracia se fortalece quando existem alternativas. Uma eleição para governador não pode ser tratada como uma disputa decidida antecipadamente. Não existe democracia forte sem debate, sem propostas e sem a possibilidade de o cidadão escolher entre diferentes projetos para o futuro.
Tenho experiência, disposição e vontade de trabalhar. Conheço Mato Grosso e seus 142 municípios. Sei das potencialidades do nosso Estado, mas também conheço as dificuldades enfrentadas diariamente pela população.
Chego a esta convenção com serenidade e, acima de tudo, respeitando cada convencional. A decisão que sair das urnas deve ser soberana e respeitada por todos nós. Essa sempre foi a minha posição e continuará sendo.
Não se trata apenas de escolher um nome. Trata-se de decidir qual papel o União Brasil deseja desempenhar na história política de Mato Grosso.
Quero um União Brasil unido, forte, democrático e protagonista. Um partido que tenha coragem para apresentar suas ideias e permitir que o povo faça sua escolha.
No dia 30 de julho, cada voto terá importância. Cada voz terá valor. Tenho confiança de que prevalecerá aquilo que sempre defendi durante toda a minha vida pública: respeito, diálogo, democracia e compromisso com Mato Grosso.
Vamos juntos construir esse novo caminho.
Jayme Campos
Opinião
A violência contra a pessoa idosa também acontece no bolso
Valéria Lima
O Brasil está envelhecendo, e essa transformação exige um olhar cada vez mais atento para a proteção da pessoa idosa. Além do acesso à saúde e à previdência, é preciso assegurar que milhões de brasileiros envelheçam com autonomia, segurança e respeito aos seus direitos. Nesse contexto, a violência patrimonial e financeira tornou-se um dos desafios mais preocupantes da atualidade.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar esse desafio. O Censo Demográfico de 2022 identificou 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população. Em comparação com 2010, esse contingente cresceu 56%, reforçando a necessidade de ampliar políticas públicas e mecanismos de proteção voltados à população idosa.
O crescimento dessa população também evidencia outro desafio: o aumento dos casos de violência contra pessoas idosas. Em 2025, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 59.134 denúncias envolvendo esse público, sendo 66% das vítimas mulheres. Entre as diversas formas de violência, a patrimonial e financeira merece atenção especial por comprometer justamente a renda que garanta a subsistência, a autonomia e a qualidade de vida de milhares de aposentados e pensionistas.
A violência patrimonial ocorre quando terceiros utilizam o patrimônio ou a renda da pessoa idosa de forma indevida, mediante fraude, abuso de confiança, coação ou aproveitamento de sua condição de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer por meio de empréstimos consignados não autorizados, descontos indevidos em benefícios previdenciários, golpes bancários, falsificação de assinaturas ou, ainda, pela atuação abusiva de familiares ou pessoas próximas.
A legislação brasileira reconhece essa vulnerabilidade. A Constituição Federal assegura proteção especial à pessoa idosa, enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece garantias voltadas à preservação de sua dignidade, autonomia e patrimônio. O aumento desses casos tem motivado, inclusive, a discussão de novas medidas legislativas para fortalecer a prevenção, a identificação e o enfrentamento da violência patrimonial.
Na prática, muitos idosos só descobrem que foram vítimas quando percebem a redução inesperada do valor da aposentadoria ou da pensão. Em outros casos, desconhecem completamente a existência de contratos de empréstimos ou de descontos realizados em seus benefícios. Situações como essas não devem ser tratadas como algo “normal” ou inevitável. Ao contrário, exigem apuração e providências imediatas.
Algumas medidas simples podem fazer a diferença: acompanhar regularmente o extrato do benefício previdenciário, desconfiar de ligações oferecendo crédito fácil, nunca fornecer senhas ou códigos de confirmação por telefone e buscar esclarecimentos sempre que surgir qualquer movimentação financeira desconhecida. A informação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
Quando a fraude já ocorreu, o ordenamento jurídico oferece mecanismos para proteger a pessoa idosa. Dependendo do caso, é possível contestar administrativamente descontos indevidos, buscar a nulidade de contratos firmados sem consentimento, responsabilizar instituições financeiras e pleitear judicialmente a reparação dos prejuízos sofridos.
Na advocacia previdenciária, muitas vezes o processo vai além da discussão sobre um contrato ou um benefício. Em inúmeros casos, o que se busca preservar é a tranquilidade financeira de pessoas que trabalharam durante décadas e dependem dessa renda para custear medicamentos, alimentação, moradia e outras despesas essenciais.
Neste Dia dos Avós, talvez o melhor presente não esteja apenas nas homenagens, mas também na atenção. Conversar sobre golpes, acompanhar os extratos dos benefícios, orientar sobre cuidados nas relações financeiras e buscar auxílio jurídico diante de qualquer irregularidade são atitudes que demonstram respeito e responsabilidade.
Envelhecer com dignidade é um direito assegurado pela Constituição e pela legislação brasileira. Mais do que reparar prejuízos, proteger a pessoa idosa significa preservar sua autonomia, sua segurança e o respeito à história construída ao longo de uma vida inteira. Afinal, cuidar de quem sempre cuidou de nós também é garantir que seus direitos sejam efetivamente respeitados.
Valéria Lima, advogada especialista em Direito Previdenciário, Regime Geral (iniciativa privada) e Próprio (servidores públicos), MBA em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).
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