Opinião
Um novo começo com a música
Opinião
Julho marca a metade do ano e oferece a oportunidade de olhar para os meses que passaram e para os que ainda estão por vir. É um período em que muitas pessoas reorganizam a rotina, retomam projetos e estabelecem metas. Entre tantos planos, aprender a tocar um instrumento pode ser a decisão que faltava para transformar um sonho antigo em realidade.
É comum adiar esse desejo por acreditar que falta tempo ou que a idade já não é a ideal. No entanto, a música não impõe limites. De crianças a idosos, o aprendizado é acessível em qualquer fase da vida, respeitando o ritmo de cada um e revelando, aos poucos, a satisfação de evoluir a cada aula.
O processo vai muito além de dominar notas e acordes. Praticar um instrumento estimula a concentração, fortalece a memória, desenvolve a coordenação motora e incentiva a disciplina. Ao mesmo tempo, desperta a criatividade, amplia a sensibilidade e proporciona momentos de bem-estar que fazem diferença no dia a dia.
O impacto positivo se estende a todas as idades. Para os pequenos, contribui para o desenvolvimento cognitivo e social. Os adolescentes encontram nessa arte um espaço para se expressar e fortalecer a autoconfiança. Já os adultos encontram uma atividade terapêutica, capaz de aliviar o estresse e exercitar o cérebro.
Outro mito frequente é o de que é preciso nascer com um “dom” natural. Na prática, o aprendizado acontece por meio da dedicação, da constância e da orientação de professores preparados para acompanhar cada aluno de forma individual, valorizando o potencial e os objetivos de cada um.
Estudar em uma escola especializada também significa integrar um ambiente que inspira e acolhe. O contato com outros estudantes, as apresentações e as vivências compartilhadas tornam a caminhada ainda mais motivadora, ajudando a construir memórias que permanecem por toda a vida.
Contar com uma estrutura adequada e uma metodologia de ensino humanizada faz toda a diferença para quem está dando os primeiros passos ou deseja retomar os estudos. Esses ambientes superam o conceito tradicional de salas de aula, oferecendo as ferramentas necessárias e o suporte pedagógico essencial para que cada aluno descubra seu próprio estilo e avance com segurança, transformando o esforço diário em pura arte.
Se a vontade de aprender ficou para depois durante o primeiro semestre, este é o momento de mudar essa história. Começar agora é dar a si mesmo a oportunidade de desenvolver uma nova habilidade e descobrir talentos. Afinal, a hora certa para realizar um projeto não depende do calendário, mas sim da decisão de dar o primeiro passo.
Manoel Izidoro é professor e proprietário da Escola de Música IGC de Cuiabá.
Opinião
A violência contra a pessoa idosa também acontece no bolso
Valéria Lima
O Brasil está envelhecendo, e essa transformação exige um olhar cada vez mais atento para a proteção da pessoa idosa. Além do acesso à saúde e à previdência, é preciso assegurar que milhões de brasileiros envelheçam com autonomia, segurança e respeito aos seus direitos. Nesse contexto, a violência patrimonial e financeira tornou-se um dos desafios mais preocupantes da atualidade.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar esse desafio. O Censo Demográfico de 2022 identificou 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população. Em comparação com 2010, esse contingente cresceu 56%, reforçando a necessidade de ampliar políticas públicas e mecanismos de proteção voltados à população idosa.
O crescimento dessa população também evidencia outro desafio: o aumento dos casos de violência contra pessoas idosas. Em 2025, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 59.134 denúncias envolvendo esse público, sendo 66% das vítimas mulheres. Entre as diversas formas de violência, a patrimonial e financeira merece atenção especial por comprometer justamente a renda que garanta a subsistência, a autonomia e a qualidade de vida de milhares de aposentados e pensionistas.
A violência patrimonial ocorre quando terceiros utilizam o patrimônio ou a renda da pessoa idosa de forma indevida, mediante fraude, abuso de confiança, coação ou aproveitamento de sua condição de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer por meio de empréstimos consignados não autorizados, descontos indevidos em benefícios previdenciários, golpes bancários, falsificação de assinaturas ou, ainda, pela atuação abusiva de familiares ou pessoas próximas.
A legislação brasileira reconhece essa vulnerabilidade. A Constituição Federal assegura proteção especial à pessoa idosa, enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece garantias voltadas à preservação de sua dignidade, autonomia e patrimônio. O aumento desses casos tem motivado, inclusive, a discussão de novas medidas legislativas para fortalecer a prevenção, a identificação e o enfrentamento da violência patrimonial.
Na prática, muitos idosos só descobrem que foram vítimas quando percebem a redução inesperada do valor da aposentadoria ou da pensão. Em outros casos, desconhecem completamente a existência de contratos de empréstimos ou de descontos realizados em seus benefícios. Situações como essas não devem ser tratadas como algo “normal” ou inevitável. Ao contrário, exigem apuração e providências imediatas.
Algumas medidas simples podem fazer a diferença: acompanhar regularmente o extrato do benefício previdenciário, desconfiar de ligações oferecendo crédito fácil, nunca fornecer senhas ou códigos de confirmação por telefone e buscar esclarecimentos sempre que surgir qualquer movimentação financeira desconhecida. A informação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
Quando a fraude já ocorreu, o ordenamento jurídico oferece mecanismos para proteger a pessoa idosa. Dependendo do caso, é possível contestar administrativamente descontos indevidos, buscar a nulidade de contratos firmados sem consentimento, responsabilizar instituições financeiras e pleitear judicialmente a reparação dos prejuízos sofridos.
Na advocacia previdenciária, muitas vezes o processo vai além da discussão sobre um contrato ou um benefício. Em inúmeros casos, o que se busca preservar é a tranquilidade financeira de pessoas que trabalharam durante décadas e dependem dessa renda para custear medicamentos, alimentação, moradia e outras despesas essenciais.
Neste Dia dos Avós, talvez o melhor presente não esteja apenas nas homenagens, mas também na atenção. Conversar sobre golpes, acompanhar os extratos dos benefícios, orientar sobre cuidados nas relações financeiras e buscar auxílio jurídico diante de qualquer irregularidade são atitudes que demonstram respeito e responsabilidade.
Envelhecer com dignidade é um direito assegurado pela Constituição e pela legislação brasileira. Mais do que reparar prejuízos, proteger a pessoa idosa significa preservar sua autonomia, sua segurança e o respeito à história construída ao longo de uma vida inteira. Afinal, cuidar de quem sempre cuidou de nós também é garantir que seus direitos sejam efetivamente respeitados.
Valéria Lima, advogada especialista em Direito Previdenciário, Regime Geral (iniciativa privada) e Próprio (servidores públicos), MBA em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).
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