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Colheita da soja chega a 75%, mas atraso e perdas no Sul limitam safra

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A colheita da safra 2025/26 de soja no Brasil atingiu 75% da área cultivada até o fim de março, segundo levantamento de mercado. O ritmo avançou na semana, mas segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já alcançavam cerca de 82%.

O atraso é pontual e concentrado em regiões específicas. No Rio Grande do Sul e em áreas do Matopiba, as chuvas recentes dificultaram a entrada das máquinas no campo e desaceleraram o ritmo da colheita. Apesar disso, as precipitações foram bem-vindas para lavouras ainda em fase final de enchimento de grãos, ajudando a sustentar o potencial produtivo.

Nas principais regiões produtoras, o cenário é mais adiantado. Estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso, já praticamente encerraram a colheita, puxando o avanço nacional e garantindo volume relevante da produção.

A estimativa de safra foi revisada levemente para cima e gira em torno de 178 milhões de toneladas, sustentada principalmente pelo bom desempenho no Centro-Oeste. O ganho de produtividade nessas áreas compensou parte das perdas registradas no Sul.

No entanto, o impacto climático ainda limita um resultado mais robusto. A estiagem no Rio Grande do Sul provocou quebras em diversas regiões e continua sendo o principal fator de pressão sobre a produção nacional.

Na prática, o Brasil deve confirmar mais uma safra elevada, mantendo-se acima do patamar histórico, mas sem repetir o potencial máximo inicialmente projetado no início do ciclo.

O cenário segue dependente do clima nas áreas onde a colheita ainda está em andamento. O ritmo dos trabalhos e as condições das lavouras remanescentes devem definir o ajuste final da produção nas próximas semanas.

Para o produtor, o momento é de consolidação da safra e atenção à comercialização. Com grande parte da produção já colhida, o foco se volta para preços, logística e planejamento da próxima safra, em um ambiente ainda marcado por custos elevados e incertezas climáticas.

Fonte: Pensar Agro

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Governo inicia levantamento nacional para mapear avanço de javalis no campo

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou, na última semana, uma pesquisa nacional para identificar a presença de javalis e dimensionar os prejuízos causados pela espécie à produção agropecuária. O levantamento, aberto a produtores rurais e manejadores autorizados, vai ate 31 de maio e deve embasar, pela primeira vez com dados consolidados, políticas públicas voltadas ao controle do animal no País.

A iniciativa surge em um cenário de expansão contínua do javali no território brasileiro. Os prejuízos são estimados em centenas de milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão anualmente. A ausência de números consolidados é justamente o principal gargalo enfrentado pelo setor: há relatos recorrentes de danos severos em lavouras e pastagens, mas sem base estatística nacional que permita quantificar o impacto e orientar medidas mais efetivas.

De origem europeia, asiática e do norte da África, o javali (Sus scrofa) é uma espécie altamente adaptável, introduzida no Brasil décadas atrás e que encontrou condições favoráveis para se expandir. Sem predadores naturais relevantes e com elevada taxa reprodutiva — fêmeas podem entrar em reprodução ainda jovens e ter até três ninhadas por ano, com até uma dezena de filhotes —, a população cresce em ritmo acelerado.

No campo, os efeitos são diretos e, em muitos casos, imediatos. O ataque às lavouras ocorre desde o plantio, com o consumo de sementes, até fases mais avançadas, com o pisoteio e a destruição de plantas. O comportamento de escavação, utilizado na busca por alimento, revolve o solo, compromete sua estrutura e eleva o risco de erosão, afetando não apenas a safra atual, mas também o potencial produtivo das áreas nas temporadas seguintes.

Além das perdas agrícolas, há impactos sobre a pecuária e o meio ambiente. O javali compete por alimento com espécies nativas, predam pequenos animais, degradam áreas de vegetação e podem atuar como vetores de doenças, elevando o risco sanitário nas propriedades.

Desde 2013, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis classifica o javali como espécie exótica invasora e autoriza seu controle por meio do abate, desde que realizado por manejadores cadastrados. Na prática, no entanto, a contenção tem eficácia limitada. A combinação de hábitos noturnos, inteligência e capacidade de adaptação torna o animal difícil de capturar, exigindo estratégias combinadas que nem sempre são viáveis em grandes áreas.

Entre as medidas adotadas pelos produtores estão a caça controlada, o uso de armadilhas e a instalação de cercas elétricas. Todas, porém, apresentam limitações operacionais ou custos elevados, o que dificulta a adoção em larga escala.

Para o produtor rural, o impacto vai além da perda pontual de produtividade. Áreas invadidas por javalis frequentemente demandam replantio, correção do solo e aumento do uso de insumos, elevando o custo de produção e comprometendo a rentabilidade. Em casos recorrentes, o prejuízo se estende por várias safras.

A expectativa do governo é que os dados coletados até maio permitam identificar as regiões mais afetadas, os sistemas produtivos mais vulneráveis e a intensidade média dos danos. Os resultados devem ser divulgados no segundo semestre e servir de base para ações coordenadas de controle populacional e mitigação dos impactos.

PARA PARTICIPAR DA PESQUISA CLICANDO AQUI

CARTILHA – Paralelamente ao levantamento, o Sistema FAEP/SENAR-PR lançou uma cartilha técnica que detalha os riscos econômicos, ambientais e sanitários associados à presença do animal.

O material foi elaborado com a participação de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná e o Exército Brasileiro, além de entidades do setor produtivo (clique aqui).

Fonte: Pensar Agro

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