Cultura
Festa de Iemanjá leva milhares de pessoas ao Rio Vermelho, em Salvador
Cultura
Desde as primeiras horas do dia, o bairro do Rio Vermelho, em Salvador, virou cenário de devoção, religiosidade e festa. 2 de fevereiro é dia de saudar a Rainha das Águas: Iemanjá.

Na Praia de Santana, baianos e turistas se revezam para jogar flores e outras oferendas ao mar, seja por meio de barcos alugados ou diretamente na água. Já na avenida, a fila para acessar o presente principal só crescia.
Uma das pessoas que estavam na fila logo pela manhã era a Cristiane, que celebra por um motivo duplo. Hoje também é aniversário dela. A participação na festa é uma tradição iniciada pela mãe quando ela ainda era pequena.
“Desde os dois anos que eu pedi a minha mãe para me trazer. Eu estou fazendo 55 hoje e eu venho sempre trazer as minhas flores, fazer os meus pedidos, agradecer. Iemanjá é mãe, né? Você sente pela energia que ela transmite pra gente. Em vários momentos ela se fez presente, me deu força para várias situações e desafios que eu atravessei na vida até agora. E eu gosto da festa, gosto de vir aqui principalmente pela diversidade que é essa festa, né? Você pode ver todos os tipos de pessoas, de classes, uma festa tranquila”.
Da tradição para a estreia. Esta é a primeira vez que a dona de casa mineira Etna Rodrigues, de 53 anos, participa da festa. Ela veio para Salvador com a família e o foco na celebração a Iemanjá, e explica que foi influenciada pela mãe.
“Minha relação com Iemanjá é por causa da minha mãe. Ela que é espírita, então a gente começou nessa área por causa dela. Ela que levou a gente desde criança, porque ela trabalhava, não tinha quem cambonasse ela, aí minha mãe me ensinou e meu irmão mais velho a cambonar.
Oferendas com responsabilidade ambiental
Uma das pessoas que chamavam atenção pelo presente ecológico é a professora Erieide Carla Silva, de 34 anos, que sempre se preocupa com a questão ambiental na hora de presentear Iemanjá.
“Para além da questão do sincretismo religioso, da fé em Iemanjá, tem que ter consciência ambiental, entender que a gente está falando de um ambiente que é de todos, e que para isso a gente precisa entregar para ela presentes que não acabem com esse ambiente. Então, pensando nisso, ela gosta de flores, ela gosta de frutas verdes, então, todos os anos eu tenho a tradição de presenteá-la com o que ela gosta pensando na consciência ambiental”.
Pensar em presentes biodegradáveis e que não poluem o mar foi um dos temas destacados pelo governador Jerônimo Rodrigues, que visitou a colônia de pesca Z1, onde está o presente principal. E disse que o momento é de agradecimento pelo ano que passou.
“Inclusive, sempre na véspera a Sema [Secretaria de Meio Ambiente] faz um ato. Fizemos isso ontem. A Sema vem para o mar fazer uma divulgação, fazer a catagem daquilo que é possível fazer, mostrando que a tem que cuidar das águas do mar. Iemanjá não quer poluir o meio ambiente. Mas, acima de tudo, a gente veio agradecer o ano de 2025 e pedir para que 2026 seja um ano de paz, de tranquilidade e um ano com muita renda, muito alimento e muita felicidade para povo da Bahia, do Brasil e do mundo”.
Ancestralidade e turismo
Já o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, destaca que a Festa de Iemanjá reúne tradição e ancestralidade.
“Aqui é um festejo de fé, mas é também um festejo de ancestralidade, de tradição e de identidade cultural do povo baiano. E essa celebração, assim como as festas populares da Bahia terem uma presença cada vez maior de apoio a projetos culturais, é a conexão disso com a história, é aquilo que nos diferencia e que faz da fé das celebrações do povo baiano serem tão diferentes e terem esse significado tão cativante. Agora não é mais só o carnaval que atrai tantos turistas, pessoas do Brasil e do mundo todo. As festas populares da Bahia cada vez mais, também, isso pela força da nossa cultura”.
A Festa de Iemanjá conta com um esquema especial de segurança, com 1.152 policiais, peritos e bombeiros.
Cultura
Com açúcar: relação de avós e netos é marcada pelo afeto e admiração
A relação entre avós e netos é uma experiência vivida de diferentes formas, mas que costuma deixar marcas profundas.

Os números do último Censo Demográfico mostram que, na Bahia, pelo menos 650 mil avós e avôs moram com os netos, segundo a Supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros.
“Em quase todas essas situações são os avós os responsáveis pelo domicílio, como figura de liderança na casa, embora tenha um número de avós que moram em domicílios chefiados pelos netos, como se os netos estivessem cuidando dos avós. Mas quase a totalidade são os avós que chefiando os domicílios. As avós mulheres são 70% dos avós que moram com os netos. E não necessariamente são avós e avôs idosos. Tem uma participação importante de pessoas de menos de 60 anos que já são avós e moram com seus netos”.
A jornalista Sandra Mercês mora com a avó desde a infância e de lá para cá foi construindo uma relação marcada pelo afeto e a admiração.
“Morar com minha avó é querer viver dentro do abraço dela. É ver o cuidado, o amor dela em cada detalhe. No cheirinho de comida pela casa. Naquela pergunta simples: ‘você já comeu?’ Na bronca que ela dá, que é uma bronca por conta do cuidado, no abraço que faz a gente se sentir seguro. Minha avó é muito ela, é muito intensa, ela fala do jeitinho dela, mas de um jeitinho bonito. Ela cuida de cada detalhe da casa como se quisesse guardar os netos em um potinho”.
A avó de Sandra, dona Ivanilde Conceição, de 68 anos, também tem outros netos com quem compartilha a rotina dentro de casa.
“Tenho seis netos. Três moram comigo e três moram com os pais. Eu amo muito meus netos quando venho aqui em casa me visitar. Brinco, caduco, faço tudo.”
O Dia dos Avós é comemorado em 26 de julho, data associada à Santa Ana e São Joaquim, considerados pela tradição católica os avós de Jesus Cristo.
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