Mato Grosso
Corpo de Bombeiros capacita mais de 1,4 mil brigadistas em Mato Grosso
Mato Grosso
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) já capacitou mais de 1,4 mil brigadistas em diversas regiões do estado somente nos primeiros seis meses de 2025. Essa formação tem como objetivo aprimorar o conhecimento e a habilidade desses profissionais, garantindo uma atuação mais eficaz e segura no combate a incêndios florestais, a fim de reduzir os danos ambientais no território estadual.
A capacitação contempla profissionais de propriedades e empresas rurais, além de servidores de prefeituras, entre outros. O conteúdo abordou técnicas especializadas de prevenção, controle e combate a princípios de incêndio, com foco especial nas áreas rurais. Os brigadistas também receberam treinamento para operar, com segurança, os equipamentos utilizados nessas situações.
A formação faz parte do planejamento estratégico da corporação para fortalecer a prevenção, especialmente durante o período de estiagem, quando as condições climáticas aumentam o risco de propagação do fogo. Essa iniciativa está alinhada ao plano do Governo do Estado, que está destinando R$ 125 milhões para ações de preservação ambiental, incluindo o combate ao desmatamento ilegal e ao controle dos incêndios florestais.
De acordo com o tenente-coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), a prevenção é uma das maiores prioridades da corporação, pois atua diretamente na redução e até na mitigação dos riscos de incêndios florestais. Quando realizada de forma eficaz, ela contribui significativamente para evitar que o fogo se alastre e cause grandes prejuízos.
“Em 2025, mais de 1,4 mil brigadistas já foram formados, 24.288 pessoas atingidas diretamente por palestras e ações educativas, além de um amplo investimento em campanhas públicas para conscientização e disseminação de informações sobre o uso do fogo, riscos ambientais e responsabilidade coletiva”, afirmou.
Além da capacitação, o CBMMT tem fortalecido a parceria com órgãos ambientais, prefeituras e outras entidades para promover campanhas educativas e fortalecer a vigilância nas áreas mais vulneráveis, buscando minimizar os impactos dos incêndios e promover a sustentabilidade no estado.
Ações preventivas
Dentre as ações está o projeto de educação ambiental Sentinelas do Amanhã, com a meta de atingir 427 mil alunos das redes públicas municipais e estadual. Além disso, desde janeiro, o CBMMT atua de forma ininterrupta com equipes de fiscalização em campo, contando com o importante apoio da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (PMMT), por meio da Operação Integrada “Abafa”.
Como resultado dessa atuação rigorosa e permanente, já foram aplicadas mais de R$ 24 milhões em multas por uso irregular do fogo, além de apreensões, embargos e responsabilizações administrativas. Também está em andamento a Operação Infravermelho, que consiste no monitoramento remoto dos focos de calor com o objetivo de coibir o uso irregular do fogo no estado.
Desde 1º de junho até 31 de dezembro, está proibido o uso do fogo no bioma Pantanal. Já na Amazônia e no Cerrado, a proibição teve início em 1º de julho e segue até 30 de novembro. Já o uso do fogo em áreas urbanas é proibido durante todo o ano.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Semear e Colher
Há anos, me atenho ao princípio de Semear e Colher, para enredar a interpretação que faço a respeito da trajetória humana na Terra. Existem várias teses sobre os atos em cotejo, imprimindo facetas ao ser humano. Muitas pessoas se gabam de, ao longo da vida, prestarem-se muito a Semear, atribuindo substancial importância a essa tarefa. Outros se orgulham das fartas Colheitas materiais e intelectuais que acumulam na trajetória humana, ressaltando que é a capacidade de coletar que importa. Os dois cenários são, efetivamente, muito importantes, mas o que não pode ser ignorado é que a colheita é resultado do que foi plantado e, eventual desajuste entre um ponto e outro, precisa ser refletido para permitir a adoção oportuna de eventuais medidas corretivas.É certo que, por vezes, semear causa frustrações, pois nem sempre o espaço material ou imaterial eleito para as ações é fértil e preparado para tal escopo. A colheita também pode ser marcada pelo insucesso. Semear e colher são fases inerentes ao ser humano, relacionadas ao labor operacional ou intelectual, em estreita sintonia com a natureza e, por vezes, exercendo mister filosófico-religioso, muitos homens e mulheres se especializam em uma ou outra atividade.São exímios trabalhadores, semeando ou colhendo bons frutos. Algumas pessoas especiais são semeadoras natas, ainda que sequer se apercebam disso. No cotidiano, pela prática, legam a todos que lhes cercam um estilo condizente com a missão divina. Semear nem sempre proporciona boa colheita. Por vezes, sequer qualquer colheita é possível. O incrédulo diz que não vale a pena semear em terreno infértil. Entende que é tempo perdido. Já o verdadeiro semeador tornará a realizar a missão, tantas e quantas vezes forem necessárias, mesmo que nenhum resultado satisfatório integre a sua visão de curto prazo. Aliás, esse semeador tem consciência de que todo terreno pode ser preparado para receber a semente e é esse, sem dúvida, seu maior foco.Mateus 13 descreve o sermão de Jesus sobre as sementes: “eis que um semeador saiu a semear e algumas sementes caíram ao longo do caminho; os pássaros vieram e as devoraram. Outras caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra e imediatamente brotaram, pois não havia terra profunda. Quando o sol nasceu, queimaram-se e, porque não tinham raízes, murcharam. Outras caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. Finalmente, algumas caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um”.Nos tempos atuais, quando são disseminadas informações em volume gigantesco, algumas procedentes, outras dúbias e várias falsas, é bom lembrar das parábolas de Cristo. Nem sempre o que se propaga é semente selecionada e raramente o terreno preparado para recebê-las é o adequado. Além disso, existem semeadores de todas as estirpes e com interesses diversos.Alguns arautos da discórdia valem-se desses instantes para alimentação dos egos pessoais, sem se aterem às diversidades culturais e sociais de nossa gente. Espalham ódio como semente, a partir de aleivosias e retroalimentam o processo com as vozes de outros iguais que, irracionalmente, aplaudem os despautérios.Já os verdadeiros semeadores perseveram em cultivar seus valores. Mesmo plantando sementes nem tão produtivas, por conta de interferências externas, contribuem com as condutas positivas voltadas para a construção de uma sociedade cada vez mais justa e igualitária, para que as pessoas de bem busquem o preparo adequado do solo, recepcionando as sementes lançadas, melhorando-as pelo trato e oportunizando, destarte, boas colheitas.Os humanos precisam entender essa dinâmica de semear e colher, em sintonia com a natureza ou sustentada por princípios filosóficos ou dogmas religiosos. Como mencionava Jean-Paul Sartre, “todos somos condenados a sermos livres”, mas alguns insistem em achar que podem manter-nos encarcerados aos seus dogmas. Para produzir bons frutos, é preponderante também o trato cultural em todos os ciclos da planta semeada. Não basta ter bom solo e semente selecionada. É fundamental que as ações para torná-lo produtivo façam parte da rotina. Isso só é possível com a exteriorização de exemplos positivos, porquanto não bastam meros discursos.Quando precisamos enfrentar desconformidades, mesmo aquelas resultantes das intervenções humanas no ciclo regular da vida, devemos considerar, no dia a dia, as ações de quem está semeando, na expectativa de colher e partilhar uma boa produção e, definitivamente, afastar os sinais externados pelas pessoas descompromissadas com a sobrevivência harmônica na Terra.Aqueles que se julgam diferentes se assumem soberanos, vilipendiando o próximo, tal qual nas “eras primitivas”, quando imperava o arbítrio. Nesse escopo, semeiam ódio contra algumas pessoas, pois não aceitam e nem querem admitir a igualdade daqueles que, por uma situação circunstancial ou mesmo interpretação social, apresentam certa diferença, comportamental ou física. E o mais grave é que o ódio disseminado prolifera, como erva daninha, germinando outras situações discriminatórias. Por isso, mais que nunca, precisamos separar “o joio do trigo” e semear aquilo que efetivamente é preciso colher para o bem-estar da sociedade, mormente em uma visão de longo prazo, mesmo após o encerramento da vida do semeador na Terra.*Edmilson da Costa Pereira é procurador de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Foto: Magnific.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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