Opinião
Violência doméstica: impacto aos cofres públicos
Opinião
Quando entrei na vida pública, escolhi atuar em prol dos mais necessitados e vulneráveis. Uma das situações mais alarmantes que enfrentamos em nosso estado de Mato Grosso são os altos índices de violência doméstica. Os casos de feminicídio, por exemplo, são ainda mais preocupantes. Dados do Observatório Caliandra do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) revelam que mais de 70% dos feminicídios registrados em 2025 foram cometidos na casa das vítimas.
Observamos que muitas mulheres que sofrem abuso e agressões acabam reféns de seus agressores, seja pela dependência financeira, seja pela esperança de mudança de comportamento do parceiro, na tentativa de manter a união familiar. Ainda há muito a ser feito para que políticas públicas eficazes incentivem essas mulheres a romper o silêncio e retomar suas vidas com dignidade. É preciso considerar, também, os impactos que essa violência causa aos cofres públicos, nas esferas federal, estadual e municipal. Isso reforça a urgência de ações preventivas, que, além de salvar vidas, evitam grandes despesas ao sistema público.
Como diz o ditado: “É melhor prevenir do que remediar”. A prevenção pode começar nas escolas, por meio da formação de jovens conscientes sobre a importância do respeito ao próximo, da não aceitação de qualquer tipo de coação ou agressão e do entendimento dos danos físicos e emocionais causados por esse tipo de violência. É fundamental ampliar as ações de conscientização e sensibilização em diferentes espaços da sociedade, oferecendo orientações e apoio a quem já sofre ou presencia a violência no dia a dia.
As ações preventivas, além de mais humanas, são muito mais econômicas do que os custos gerados pelo tratamento de vítimas no sistema de saúde que, muitas vezes, sofrem lesões, mutilações e transtornos mentais, o que as afasta do mercado de trabalho. Além disso, os filhos que presenciam a violência doméstica enfrentam impactos diretos em seu desenvolvimento, com baixo rendimento escolar e necessidade de acompanhamento psicológico.
Outro ponto a ser considerado é o sistema penitenciário que absorve os autores de violência doméstica e feminicídios, gerando alto custo ao estado e comprometendo o orçamento público. Recursos que poderiam ser destinados a projetos sociais e de desenvolvimento acabam sendo utilizados para manter um sistema que, muitas vezes, age apenas de forma reativa.
Precisamos quebrar o ciclo da violência doméstica, intensificar as políticas públicas e oferecer o apoio necessário às mulheres e seus familiares em situação de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, é preciso garantir que os agressores sejam responsabilizados por seus atos. Nesse sentido, apresentamos importantes propostas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, como o Projeto de Lei nº 849/2025, que dispõe sobre assistência psicológica e social às famílias de vítimas de feminicídio.
De acordo com a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC), os crimes de feminicídio registrados em 2024 deixaram 83 crianças órfãs de mãe. Com base nessa situação, temos o Projeto de Lei nº 2303/2023, em tramitação na Assembleia Legislativa, que obriga a inclusão de informações sobre os filhos menores de idade nas ocorrências registradas, o que possibilita um acompanhamento mais efetivo por parte do estado.
É hora de enxergar a violência doméstica como um problema de toda a sociedade, que exige responsabilidade coletiva, políticas públicas eficientes e um olhar atento às vítimas. Combater essa chaga é, ao mesmo tempo, um dever moral e uma estratégia inteligente de gestão pública. O custo da omissão é alto demais – em vidas, em sofrimento e em recursos.
Fonte: ALMT – MT
Opinião
O que é mais importante para você?

Por Kamila Garcia
Certa vez ouvi uma frase que permaneceu comigo: “Uma vida sem propósito é uma vida infeliz”. Desde então, ela retorna acompanhada de uma pergunta aparentemente simples, mas capaz de abalar muitas das certezas que construímos: afinal, o que é mais importante para você?
Antes mesmo de nascermos, já representamos um propósito na vida de alguém. Somos imaginados, esperados e sonhados. Menino ou menina? Qual será o nome? O que será quando crescer? Antes mesmo de aprendermos a falar, muitas vezes já existem expectativas sobre nossa profissão, comportamento e futuro.
Crescemos carregando nossos próprios desejos, mas também expectativas que pertencem aos outros. Só que a vida acontece. Descobrimos habilidades, limites, vontades e caminhos que nem sempre correspondem ao projeto inicialmente pensado para nós.
Casa, escola, trabalho, amizades e relacionamentos ampliam nosso universo e despertam uma necessidade profundamente humana: ser aceito. Queremos ser amados, reconhecidos, queridos e admirados. Queremos pertencer. O problema começa quando, para caber no mundo do outro, diminuímos o espaço que ocupamos dentro de nós mesmos.
Quantas escolhas fazemos porque realmente queremos e quantas são motivadas pela necessidade de aprovação? Quantas vezes permanecemos em lugares e relações pelo medo de decepcionar alguém? Quantos sonhos abandonamos para corresponder às expectativas alheias?
O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador da logoterapia e autor de Em Busca de Sentido, dedicou grande parte de sua obra à compreensão da necessidade humana de encontrar significado para a própria existência. Para ele, a busca de sentido ocupa lugar central na vida humana. Não se trata simplesmente de buscar prazer ou evitar sofrimento, mas de encontrar razões que façam a existência valer a pena.
Essa reflexão nos leva novamente à pergunta: o que, de fato, é importante para você?
A vida nos coloca diante do sim ou do não, do ser ou ter, de permanecer ou partir, do insistir ou recomeçar. Talvez uma das escolhas mais difíceis seja decidir entre existir no outro ou existir em si mesmo.
Se perguntássemos aos nossos pais sobre o futuro ideal, talvez respondessem estabilidade, profissão, casamento, filhos e segurança. A sociedade acrescentaria dinheiro, reconhecimento, produtividade e patrimônio. Mas e se a pergunta fosse feita somente a você, sem plateia, comparação ou medo de julgamento?
Talvez a primeira resposta seja: ser feliz.
Mas nem tudo o que é importante é prazeroso. Criar um filho exige renúncias. Cuidar de alguém demanda esforço. Estudar requer disciplina. Encerrar uma relação pode causar sofrimento. Recomeçar provoca medo. Defender aquilo em que acreditamos pode nos custar algumas companhias.
Às vezes, escolher o que é mais importante também dói.
Propósito não significa viver sem dificuldades. Talvez seja compreender por que determinadas dificuldades ainda valem a pena.
Você é feliz com a vida que está construindo? Tem sido uma boa pessoa? Suas escolhas representam aquilo em que acredita ou apenas aquilo que esperam de você? Você está vivendo ou simplesmente cumprindo tarefas e ocupando um lugar no espaço?
Rever prioridades não é egoísmo. Mudar de direção não significa fracasso. Crescer também é reconhecer que aquilo que um dia foi essencial pode deixar de ser.
Podemos passar uma vida inteira tentando ser aquilo que esperam de nós e, ao final, perceber que faltou justamente a pessoa mais importante nessa história: nós mesmos.
Por isso, de tempos em tempos, faça a pergunta: o que é mais importante para você?
Talvez encontrar essa resposta seja o primeiro passo para descobrir o verdadeiro sentido de estar aqui.
*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.
-
Cuiabá2 dias atrásParque da Família recebe vistoria técnica e avança para entrega com nova estrutura de lazer na região Norte
-
Cultura3 dias atrásFestival de Gramado termina neste sábado com entrega dos troféus
-
Cultura2 dias atrásCom 4 kikitos, “Feito Pipa” é o grande vencedor do Festival de Gramado
-
Política4 dias atrásCoronel Fernanda se reúne com setor florestal e debate sobre burocracia e mudanças na legislação
-
Mato Grosso6 dias atrásJovem Ouvidor amplia ações em escolas estaduais da capital
-
Mato Grosso6 dias atrásCaliandra ministra palestra sobre violência para profissionais da saúde
-
Mato Grosso6 dias atrásCapacitação sobre educação inclusiva começa amanhã no MPMT
-
Política5 dias atrásMAPA recua e deve revogar regras de agrotóxicos e grãos após cobrança de Coronel Fernanda
