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Gestão não é marketing

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Por Rodrigo de Arruda e Sá*

Vivemos a era da comunicação instantânea. Nunca foi tão fácil mostrar uma obra, anunciar uma ação ou divulgar uma agenda. As redes sociais aproximaram governantes e cidadãos, deram mais transparência ao poder público e permitiram que a população acompanhasse o dia a dia da administração quase em tempo real. Isso é positivo.

O problema começa quando a comunicação deixa de ser consequência da boa gestão e passa a ocupar o lugar dela. Administrar uma cidade exige muito mais do que produzir boas imagens, gravar vídeos ou publicar diariamente nas redes sociais. Exige planejamento, capacidade de execução e disposição para enfrentar problemas que, muitas vezes, não rendem curtidas nem manchetes.

O cidadão não escolhe um prefeito para produzir conteúdo. Escolhe para melhorar sua qualidade de vida. Espera ruas mais seguras, trânsito mais organizado, obras planejadas, serviços públicos eficientes e regras claras para quem deseja trabalhar, empreender e investir. A comunicação pode mostrar esses resultados, mas jamais substituí-los.

Existe uma diferença importante entre governar para aparecer e aparecer porque se governa bem. No primeiro caso, o foco está na repercussão de cada decisão. No segundo, a prioridade é resolver problemas concretos, mesmo que isso aconteça longe das câmeras. A história mostra que as melhores administrações foram lembradas pelas transformações que produziram, e não pelo volume de suas publicações.

Como contador e empresário, aprendi que resultados não podem ser medidos apenas pela aparência. Uma empresa não se torna sólida porque investe em propaganda, mas porque entrega qualidade, cumpre compromissos e conquista a confiança de seus clientes. Na administração pública acontece exatamente o mesmo. A credibilidade nasce da capacidade de entregar aquilo que foi prometido.

Isso não significa desprezar a comunicação. Pelo contrário. Uma gestão eficiente precisa prestar contas, explicar suas decisões e manter diálogo permanente com a sociedade. Mas a comunicação deve servir à gestão, e não a gestão servir à comunicação. Quando essa ordem se inverte, corre-se o risco de transformar o governo em uma campanha permanente.

A população percebe essa diferença. Pode até acompanhar um vídeo ou compartilhar uma publicação, mas forma sua opinião quando enfrenta o trânsito causado por uma obra mal planejada, quando espera por um serviço que não funciona ou quando encontra obstáculos desnecessários para resolver problemas simples. A experiência cotidiana pesa muito mais do que qualquer estratégia de marketing.

Uma boa administração não precisa escolher entre comunicar e governar. Precisa fazer bem as duas coisas, na ordem correta. Primeiro vêm as decisões acertadas, os resultados concretos e a melhoria da vida das pessoas. Depois vem a comunicação, com a função legítima de prestar contas à sociedade.

No fim das contas, o cidadão não espera um influenciador digital ocupando o cargo de prefeito. Espera um gestor capaz de resolver problemas, planejar o futuro e construir uma cidade melhor. Porque, ao final de cada mandato, não são os vídeos publicados que permanecem na memória da população, mas os resultados que ela encontrou nas ruas onde vive.

*RODRIGO DE ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

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A ansiedade na era da hiperconexão

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Vivemos a era da ansiedade digital. Nunca estivemos tão conectados, nem tão informados. Mas essa abundância tem um preço: em meio ao excesso de estímulos, a tranquilidade tornou-se um recurso escasso, e a ansiedade digital, o sintoma mais visível do nosso tempo. A tecnologia aproximou pessoas, reduziu distâncias e acelerou processos, mas também eliminou boa parte das pausas que antes faziam parte da rotina.

Hoje, muitas pessoas não adoecem apenas pelo excesso de trabalho, mas pelo excesso de disponibilidade. Existe uma expectativa silenciosa de estar sempre acessível, responder imediatamente às mensagens, acompanhar as atualizações em tempo real e não perder nenhuma novidade. Aos poucos, essa dinâmica transforma a ansiedade em um modo de funcionamento cotidiano, e não apenas em um transtorno psicológico.

Embora a tecnologia não seja a causa da ansiedade, ela potencializa mecanismos que favorecem sua manutenção. Cada notificação interrompe o foco e fragmenta a atenção. As redes sociais intensificam comparações constantes, alimentando sentimentos de insuficiência e a falsa impressão de que todos estão vivendo melhor, produzindo mais ou sendo mais felizes. Ao mesmo tempo, o excesso de informações cria uma sensação permanente de atraso, como se nunca fosse possível acompanhar tudo.

O resultado é uma sociedade hiperconectada, mas emocionalmente exausta. O cérebro humano não foi preparado para processar estímulos ininterruptos durante praticamente todas as horas do dia. A ausência de intervalos compromete a concentração, prejudica o sono, aumenta os níveis de estresse e reduz a capacidade de lidar com as demandas da vida de forma saudável.

Como psicóloga, observo que um dos maiores desafios da atualidade não é ensinar as pessoas a utilizar a tecnologia, mas ajudá-las a estabelecer limites diante dela. A conexão permanente não pode substituir o descanso, o silêncio e os momentos de presença consigo mesmas. É justamente na pausa que o cérebro reorganiza os pensamentos, regula as emoções e recupera recursos importantes para enfrentar os desafios do cotidiano.

Desenvolver uma relação mais equilibrada com a tecnologia não significa abandonar os recursos digitais, mas aprender a utilizá-los de forma consciente. Definir horários para a desconexão, reduzir o consumo excessivo de informações e respeitar os momentos de descanso são atitudes que contribuem para preservar a saúde mental.

A ansiedade faz parte da experiência humana e possui uma função adaptativa. O problema surge quando ela deixa de ser uma resposta ocasional e passa a determinar o ritmo da vida. Em um mundo que valoriza a velocidade, talvez o maior ato de cuidado consigo mesmo seja reaprender a fazer pausas.

Isabela Prado é psicóloga e Analista do Comportamento Humano, com atuação na área da neurodivergência, atendendo pessoas com TEA, TDAH, deficiência intelectual e condições relacionadas

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